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QUAL É O ESPIRITISMO QUE QUEREMOS ?

      Quem nos dá a resposta a esta pergunta é o confrade Alberto Leitão Rosa, que nos diz o seguinte:

     “Allan Kardec com a lucidez e visão do futuro que lhe são peculiares, sempre nos alertou sobre a importância do estudo por ser o caminho para estabelecer uma unidade de princípios doutrinários e para habilitar adeptos esclarecidos, com capacidade de divulgar o Espiritismo de forma consciente e coerente. O maior adversário à propagação da Doutrina Consoladora é exatamente a falta de unidade doutrinária.

     “Observamos ainda no movimento espírita muita resistência em seguir-se as orientações do Mestre de Lyon, Allan Kardec. Por mais que se diga “aqui é só Kardec”, a realidade é outra. Muitos desvios doutrinários são observados, em especial na prática mediúnica, todos oriundos da não observância do precioso material para aprendizado que nos foi legado pelo Codificador, diagnosticando que “de muitas dificuldades se mostra inçada a prática do Espiritismo e nem sempre isenta de inconvenientes a que só o estudo sério e completo pode obviar”(Allan Kardec, em “O Livro dos Médiuns”, 5ª ed. FEB, pág. 15) .

     “Alerta-nos Herculano Pires que “sem Kardec não há Espiritismo, há apenas mediunismo desorientado” (O Centro Espirita - J. Herculano Pires-4ª ed. Lake, pág. 3), incitando-nos a um serviço urgente: “instrução doutrinária de velhos e novos adeptos” (íbidem, pág. 13). Para aqueles que se escondem atrás da desculpa de que o importante é o “coração”, que preferem o Espiritismo “simples”, não intelectualizado, tentando justificar assim a não participação nos grupos de estudo, mais uma vez, convidamos a ouvirem as sábias palavras do “melhor metro que mediu Kardec” ou seja, J. Herculano Pires, segundo Emmanuel: “... sem a humildade, que gera e sustenta o amor ao próximo, nem o estudo pode dar frutos. Por outro lado, sem estudo os frutos da humanidade não produzem amor, mas fingimento, hipocrisia de maneiras e fala melosa, de voz impostada para imitar anjos” (íbidem, pag. 16).

      “É precisamente neste sentido que vem a exortação do Espírito de Verdade, quando nos diz: “Espíritas, amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo” (Evangelho s/o Espiritismo” de Allan Kardec, 113ª edição FEB, pág. 130). Se bastasse o “amai-vos”, Ele pararia por aí. Tanto um quanto o outro (“amai-vos e instruí-vos”) são imprescindíveis. Haja vista que o progresso moral decorre do progresso intelectual, conforme assevera a questão nº 780 de “O Livro dos Espíritos.

     “Só através do conhecimento adquirido nos grupos de estudo teremos tarefeiros compromissados, integrados aos ideais de fraternidade, e todos os serviços do Centro Espírita serão feitos com mais qualidade. A divisão de tarefas ocorrerá de forma natural, sem disputas, com todos ajudando-se, mutuamente, num clima de verdadeira família. Somente assim estaremos nos precavendo do Espiritismo igrejeiro que idolatra médiuns, que forma dirigentes ávidos por ‘cargos’ e não por ‘encargos’, como deveria ser, e pratica o ‘Espiritismo à moda da casa’, com sérios desvios doutrinários.

      “A tarefa é nossa, a responsabilidade também é nossa. A Doutrina Espírita será daqui a cem, duzentos, quinhentos anos o que nós fizermos dela, ou seja, teremos o Espiritismo que quisermos. Estamos hoje construindo o Espiritismo de amanhã. É da lei que ‘muito se pedirá àquele que muito recebeu’. É também da Lei que ‘a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória’. Cuidemos, pois, para não repetirmos os erros religiosos do passado, deixemos de invencionices e vamos estudar em grupo a Doutrina Consoladora, em especial as obras basilares. Este é o caminho para que a Doutrina atinja os objetivos traçados, no que se refere à transformação da Humanidade.

     “Para a nossa reflexão, mais um alerta do professor Herculano Pires: ‘ – Os que desejam atualizar a Doutrina, devem antes cuidar de se atualizarem nela” (Herculano Pires, “O Centro Espírita”- Lake - , pág. XXVI).  (Os grifos são nossos)

     OBSERVAÇÃO.:  Este artigo foi extraído do jornal “O Servidor Espírita”, do Grupo Espírita “Leôncio Albuquerque, edição janeiro/fevereiro-2006, que, por sua vez o extraiu do jornal “Fluminense Espírita”, órgão do Instituto Bezerra de Menezes (ex-FEERJ)

NOSSO COMENTÁRIO

     Interessante! Como são as coisas!      

     Neste artigo se faz referência a: (a) “resistência em se seguir as orientações do Mestre Allan Kardec”; (b) “muitos desvios doutrinários”, (c) “falta de unidade doutrinária”, (d) “Espiritismo igrejeiro”, (e)“idolatria a médiuns”...  dando-se, portanto, ênfase ao Espiritismo como religião.

     Aliás, quem consulta ÉPOCA (a “moderna revista semanal de informação”, nº 424 de 13 de julho de 2006), vê, claramente que o que se chama de “Novo Espiritismo”, num artigo de autoria de Martha Mendonça, que aparece nas páginas 67 a 74 é, justamente, o que se convencionou chamar de Religião Espírita. Isto está completamente errado, pois sabemos muito bem que Allan Kardec definiu o Espiritismo como uma “Ciência, que trata da natureza, da origem e do destino dos Espíritos e das suas relações com o mundo corporal”. Sim, disse o Codificador: “O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas as conseqüências morais que decorrem dessas relações” (Ver o “Preâmbulo” de ‘O Que é o Espiritismo”).

      Mas é claro que Kardec nunca negou o aspecto religioso do Espiritismo. E quando, em novembro de 1868, (portanto meses antes de desencarnar), foi pressionado a dizer se o Espiritismo afinal  era ou não era uma religião, ele foi bem claro: “Sim, meus senhores, no sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, porque é a doutrina que funda os elos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as mesmas leis da natureza”. Mas o Espiritismo “não é (nem nunca poderá ser) uma religião no sentido geral, no sentido vulgar e tradicional do termo, porque “se o Espiritismo  se dissesse uma religião, o público não veria nele senão  uma nova edição, uma variante dos princípios absolutos em    matéria   de  fé ;  uma   casta sacerdotal com suas hierarquias, cerimônias e privilégios; não o separaria das idéias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes se levantou a opinião pública” (Discurso de fim de ano, publicado na Revista Espírita – dezembro de  1868)

      Temos, pois, que ficar sempre muito atentos e tomar todo cuidado possível para que o Espiritismo não se transforme numa nova seita, como tantas que existem por aí.

     E é isto, justamente que  o artigo que acabamos de comentar quer nos dizer. É, por conseguinte, um GRITO DE ALERTA e, ao mesmo tempo, um aviso para que acabemos de vez com esses “desvios doutrinários” que estamos observamos, no alvorecer deste novo século e novo milênio.

      A propósito, lembro-me como se fosse hoje! No dia 29 de janeiro de 1960, meu querido e saudoso pai, Severino de Freitas Prestes Filho, regressando ao lar, trouxe consigo um exemplar do livro “Religião dos Espiritos”, e, reunindo-se conosco, à noite, fez o seguinte comentário: “ – Estão vendo este livro, meus filhos? É do Espirito Emmanuel. Só pelo título se vê que os modernos jesuítas do Padre Manoel da Nóbrega fazem questão de se referir à Doutrina codificada por Allan Kardec como a “Religião dos Espíritos”, contrariando assim o pensamento do Mestre. Aliás, já no livro “O Consolador”, lançado pela FEB em março de 1941, Emmanuel, tomando o “triângulo”como símbolo da Doutrina, deixou bem claro que “o Espiritismo se revestia de três aspectos: ‘científico, filosófico, religioso’, e, como, para ele, Emmanuel, ‘a Religião é o ângulo divino que a liga ao céu, no aspecto religioso repousa sua grandeza divina, por constituir a restauração do Evangelho de Jesus-Cristo’ (Ver “Definição de Espiritismo”, logo no início). Vem assim confirmar o que disse Humberto de Campos (Espirito), no livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, que a FEB publicou em 1938, com “prefácio” de Emmanel. Aí se lê que, antes de reencarnar em 3 de outubro de 1804, o Espírito de Allan Kardec havia participado de uma das muitas “assembléias espirituais”, presidida pelo ‘coração misericordioso e augusto do Cordeiro de Deus, para vir à Terra com a tarefa de organizar e compilar ensinamentos que seriam revelados (...)’ e ‘o grande missionário, no seu maravilhoso esforço de síntese, contaria com a colaboração  de uma plêiade de auxiliares de sua obra, nas individualidades de João Batista Roustaing, que organizaria o trabalho da fé; Léon Denis, que efetuaria o desdobramento filosófico, Gabriel Delanne, que apresentaria a estrada científica e Camille Flammarion, que abriria a cortina dos mundos...’ (pág. 176).

     “Ora, meus filhos, - prosseguiu papai – quem conhece e estuda “A Gênese” de Allan Kardec e faz um estudo comparativo entre essa obra e “Os Quatro Evangelhos” de Roustaing, como já fiz, vê, claramente, que o Codificador, assistido que foi pelo Espírito de Verdade, derrubou, definitivamente, tudo que se encontra na obra de Roustaing, que é, de fato, uma obra jesuítica, pois exalta os valores consagrados da Religião Católica: culto à Virgem Maria, concepção milagrosa de Jesus, que não foi homem de carne e osso, pois era a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, etc...

      “Portanto, meus filhos, temos que ficar bem atentos, muito alertas mesmo, porque o que se observa hoje, no movimento espírita, é uma tendência muito grande para se transformar o Espiritismo em uma nova seita, como os cristãos, apoiados pelos Imperadores romanos, acabaram fazendo com o Cristianismo primitivo, que não era nada disso que hoje se vê por aí...”

      Como estava certo meu pai!! É na verdade este o rumo que está seguindo o movimento espírita liderado pelos roustainguistas da FEB e os novos jesuítas do Padre Manoel da Nóbrega  -  leia-se Emmanuel -

      Aliás, quando estive em Uberaba/MG, soube que o médium Francisco Cândido Xavier, em 15 de agosto de 1998, numa reunião espírita realizada no Grupo Espírita da Prece, prestou uma “justa” homenagem a Nossa Senhora da Abadia, dizendo aos presentes, visivelmente emocionado: “Amigos, peço a vossa permissão para fazer uma saudação a Nossa Senhora da Abadia, padroeira de Uberaba”. E recitou “A Ave Maria” que consta dos Evangelhos e que a Igreja Católica adotou como Hino Sacro em suas cerimônias religiosas.

      A propósito, foi com a “Ave Maria!” de Gounot, cantada pelo “Coral Encontro de Luz’ de vozes maravilhosas, que foi aberto o XII Congresso Espírita da Bahia, na cidade de Salvador, em outubro de 2005.

      Como convidado de honra estava um representante da Federação Espírita (Roustainguista) Brasileira.