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ENTRANDO NO TÚNEL DO TEMPO

 

                Lembro-me bem como se fosse hoje! E faço questão de narrar aqui um fato particular que se passou em casa.

                Em 2 de agosto  de 1953, meu querido e saudoso pai,  Severino de Freitas Prestes Filho, que tinha ido à Livraria da FEB,  chegou em casa furioso da vida, profundamente revoltado, deixando-nos bastante preocupados. É que havia comprado “O REFORMADOR” de julho e, durante a viagem do Rio para Niterói, leu a Mensagem de Emmanuel, transmitida, verbalmente pelo Chico ao Dr. Agnelo Morato, da cidade de Franca/SP.

                Horrorizado com o absurdo que encontrou ali nas páginas do “Reformador”, comentou conosco:  “Como é possível isso! comparar o Espiritismo com um ‘Estado, dividido em províncias ou  linhas’  e afirmar , categoricamente, que uma delas é a Umbanda?!”. Como pode isto?!”. E exclamava, diante de nós, muito revoltado: “- Viram, meus filhos, como anda o movimento espírita no Brasil, dirigido pelos roustainguistas da FEB e pelos jesuítas do Padre Manuel da Nóbrega (Emmanuel)?!”

                Sua indignação durou dias.  Achava que estava se praticando uma verdadeira  heresia,  em pleno século XX e, o que é pior, com o apoio integral de uma instituição que se auto-intitula “Casa Mater” do Espiritismo e se declara kardecista.

                Teve mesmo vontade de ir, diretamente aos centros espíritas, para deixar ali seu veemente protesto. Pensou  também em escrever artigos em jornais espíritas e profanos, para deixar bem claro, por escrito, seu pensamento inteiramente contrário ao  que se vinha afirmando pela boca dos dirigentes febeanos e pela psicofonia do médium de Pedro Leopoldo, inerpretando o pensamento de seu  Guia e Protetor, Emmanuel.

Entretanto, nesse momento de grande indignação, ouviu, dentro de si, uma voz bem clara  a dizer: “- Calma, irmão,  não se exalte tanto; não tome atitudes precipitadas. Lembre-se de que, desta vez, não foi para aparecer em público, não foi para se projetar na sociedade espírita, que reencarnou e, sim, para observar à distância o rumo do movimento espírita no Brasil e no mundo. Aguarde, com serenidade, a reação dos verdadeiros adeptos de Allan Kardec”.

Sim, foi isto que, mentalmente, lhe disse Erasto, seu “Guia bem amado”.

                Diante, pois, da intervenção benéfica do seu Espírito Protetor, meu pai conseguiu se acalmar e aguardar, tranqüilamente,  os acontecimentos futuros.

                De fato, veio a reação desejada através do  Clube dos Jornalistas Espíritas, dirigido pelo Condestável do verdadeiro Espiritismo: José Herculano Pires, o “Apóstolo de Kardec”.

.Foi mesmo radiante de alegria que meu pai tomou conhecimento das declarações do grande missionário paulista de Avaré , lendo o “Diário de São Paulo”, edição de 10 de junho de 1966, que um confrade e amigo lhe enviara pelo Correio.

                Leu também artigos  de outros confrades ilustres, que se manifestaram em defesa do verdadeiro Espiritismo, que não pode  jamais, ser confundido com a Umbanda, nem com  o Ubaldismo, o Ramatisismo, o Laicismo e muitos outros “ismos” que têm aparecido e,  infelizmente, continuarão aparecendo.  De jeito nenhum!...