ofplogo.gif (4994 bytes)   


A  INICIAÇÃO DE CHICO XAVIER NO ESPIRITISMO

             Vimos como foi a iniciação de Allan Kardec no Espiritismo. Em seguida, vimos como foi a de J. B. Roustaing, que um “imortal da Academia de Letras”, com o aval do jesuíta padre Manoel da Nóbrega (leia-se Emmanuel) declarou, erradamente, ter sido “auxiliar” do Codificador. Vamos ver agora como foi a de Francisco Cândido Xavier, o Chico, esse mesmo que os modernos “Doutores da Lei” teimam em afirmar que “foi a reencarnação de Allan Kardec”. E tudo que vamos transcrever aqui se encontra na biografia do médium de Pedro Leopoldo, escrita por Marcel Souto Maior, que virou um verdadeiro “best-seller” e se encontra à venda em todas as livrarias, espíritas ou não.

                Francisco Cândido Xavier, em criança, era tido por seus familiares, a começar pelo pai, como um louco, porque tinha alucinações. Sua madrinha, Rita de Cássia, dizia mesmo que ele era um “moleque que tinha o diabo no corpo”. Por isso mesmo vivia batendo nele e fazendo muitas maldades. Nem mesmo o padre Sebastião Scarzello, a quem sua família, muito católica, recorreu, conseguiu fazer do Chico um garoto “normal”, apesar dos inúmeros castigos a que submetia o menino: acompanhar procissões carregando na cabeça pedra de quinze quilos e repetir mil vezes a ave-maria. Pobre do Chiquinho! Até lamber uma ferida na perna esquerda de seu primo Moacir, por ordem de uma benzedeira, ele teve que fazer, durante três sextas-feiras seguidas, pela manhã e em jejum! Que desgraça! Mas, indefeso que era, pois nem seu Espírito Protetor fazia coisa alguma para livrá-lo daquele martírio, não lhe restava nada a fazer do que ir à igreja, comungar, confessar, assistir à missa, acompanhar procissões.

Certa vez, porém, Chico pôde assistir de perto à cura de uma de suas irmãs, obsedada, através de passes e rezas que eram ministrados por um casal de espíritas, amigos da família: Sr. José Hermínio Perácio e sua mulher, dona Carmem. “Chico acompanhou o ritual e participou, assim, de sua primeira experiência no espiritismo”. Nesse mesmo dia recebeu de José Hermínio explicações sobre os fantasmas que o cercavam desde menino, e, ao mesmo tempo, veio a tomar conhecimento do “Evangelho segundo o Espiritismo” e do “Livro dos Espíritos” de Allan Kardec. Passou então a conhecer uma “palavra-chave: mediunidade”.

Que fez então o Chico (“Allan Kardec reencarnado”, na opinião dos modernos “Doutores da Lei”)? Quem nos informa é seu biógrafo: “Voltou à igreja, para se despedir de seu confessor, o padre Sebastião Scarzello. Ajoelhou-se diante do sacerdote, beijou-lhe a mão e lhe contou tudo que tinha acontecido com sua irmã, curada de uma obsessão, e com ele, esclarecido sobre a prática da mediunidade, a que pretendia se dedicar dali em diante”.

É claro que o padre não gostou nada do que ouviu da boca do Chico, mas, - que fazer ?! -  era sua vontade dedicar-se à mediunidade! Estendeu então sua mão direita, e, a pedido do Chico, que fazia questão de sua bênção, declarou, persignando-se: “ – Seja feliz, meu filho. Rogarei à Mãe Santíssima para que te abençoe e proteja.

                Isso se deu em princípios de maio de 1927. Em 21 de junho, o irmão do Chico fundou um centro espírita em sua casa, assumindo sua presidência, ficando o médium como secretário          

                Foi no Centro Espírita “Luiz Gonzaga” que o Chico teve a notícia de sua missão: “uma chuva de livros caiu sobre sua cabeça”. Simbolicamente, significava que ele tinha que publicar muitos livros, sim, centenas.

                Foi em 1931 que o Chico veio a saber quem era seu Guia e Protetor Espiritual, o Espirito do Padre Manoel da Nóbrega, que se lhe apresentou com uma “cruz luminosa” na mão e “vestindo uma túnica típica dos sacerdotes”. Identificou-se com o pseudônimo de Emmanuel, dizendo que, dali em diante, Chico tinha que ser muito disciplinado e produzir muitas obras mediúnicas: “uns trinta livros para começar sua atividade psicográfica”.