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O “PACTO ÁUREO” E A UNIFICAÇÃO

 

                No dia 5 de outubro de 1949, portanto há cinquenta e oito anos, houve, na sede da Federação Espírita (Roustainguista) Brasileira, no Rio de Janeiro, “uma reunião entre os seus diretores e vários representantes de Federações e Uniões de âmbito estadual”.

                Conforme foi registrado na ata dessa reunião, que foi presidida pelo Sr. Antonio Wantuil de Freitas, Presidente da FEB, foi aprovado um documento com dezoito ítens, sendo que, no primeiro consta o seguinte: “Cabe aos espíritas do Brasil porem em prática a exposição contida no livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de maneira a acelerar a marcha evolutiva do Espiritismo”. No segundo ítem, ficou decidido que a FEB criará um Conselho Federativo Nacional permanente, com a finalidade de executar, desenvolver e ampliar os planos da sua atual Organização Federativa”, cabendo a cada Sociedade de âmbito estadual indicar um membro de sua diretoria para fazer parte desse Conselho (ítem 3)

                Os interessados em conhecer, na íntegra, todo o teor da ata dessa reunião, bem como saber, quais foram os seus integrantes, podem recorrer ao “Reformador”, edição de fevereiro de 1997.

NOSSO COMENTÁRIO

                Na verdade, o que foi aprovado foi um “acordo”, cujo responsável principal foi o Sr. Arthur Lins de Vasconcelos Lopes, que lhe deu a denominação de “Pacto Áureo”.

                O que houve, na verdade, foi um conchavo, e não uma assembléia geral, adrede convocada para deliberar sobre o assunto em pauta. Por isso mesmo, muitos confrades ilustres, não só fizeram sérias críticas a esse documento como o repudiaram abertamente.

            E foi, justamente, o primeiro ítem o causador da desaprovação. Isto porque nesse livro de Humberto de Campos (Espírito), psicografado por Chico Xavier, prefaciado por Emmanuel (Padre jesuíta Manoel da Nóbrega), publicado pela FEB roustainguista, está escrito que Roustaing foi “coadjutor” de Allan Kardec, encarregado de “organizar o trabalho da fé” (pág. 176 da 11ª edição), o que constitui uma grande e deslavada mentira. 

Conforme declarou o confrade Abstal Loureiro (já desencarnado), “a partir daquele ano de 1949, (em que foi aprovado o chamado Pacto Áureo), paradoxalmente, dividiu-se mais ainda o movimento espírita em nosso país, principalmente no Rio de Janeiro, pois os que discordaram, ou não se submeteram à imposição de tal pacto, passaram a ser considerados inimigos da casa (isto é, da FEB roustainguista) a que recusaram vassalagem”.

(Ver “Jornal Espírita” de São Paulo/SP, edição de março de 1985, pág. 3).

Todavia, os atuais membros do Conselho Federativo Nacional, que se reúnem, anualmente, com o Presidente da FEB, coniventes com o erro apontado por grandes vultos do Espiritismo, como Herculano Pires, Henrique Andrade, Júlio Abreu Filho, Ricardo Machado, e muitos outros, continuam submissos ao poder central, do qual são simples vassalos.

                Faço questão de dizer que meu querido e saudoso pai, Severino de Freitas Prestes Filho, ao tomar conhecimento, pela imprensa espírita, desse documento, foi também um dos que discordaram e protestaram veementemente. E isto ele deixou bem claro em nossas reuniões familiares, nas quais lia para nós os artigos desses valentes confrades defensores do verdadeiro Espiritismo.

Francisco Cândido Xavier, o Chico, que os modernos fariseus e novos doutores da lei afirmam  ter sido a reencarnação de Allan Kardec, manteve-se calado como um humilde vassalo da FEB roustainguista.