ofplogo.gif (4994 bytes)CONSCIENTIZAÇÃO ESPÍRITA


Nosso querido e saudoso confrade Gélio Lacerda da Silva, em seu magnífico livro "Conscientização Espírita", apresenta um capítulo em que analisa a polêmica que surgiu quando do aparecimento da obra de Humberto de Campos (Espírito) intitulada: "Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho", que a FEB publicou em 1938 com prefácio de Emmanuel.

Essa discussão surgiu porque no capítulo intitulado "Bezerra de Menezes" aparece o seguinte: "Segundo os planos do trabalho do mundo invisível, o grande missionário (Allan Kardec), no seu maravilhoso esforço de síntese, contaria com a cooperação de uma plêiade de auxiliares, designados particularmente para coadjuvá-lo, nas individualidades de João Batista Roustaing, que organizaria o trabalho da fé, Léon Denis, que efetuaria o desdobramento filosófico; Gabriel Delanne, que apresentaria a estrada científica e de Camille Flammarion, que abriria a cortina dos mundos..." (pág. 176 da 25ª edição). Vê-se, portanto, assim que tanto para o Chico, que psicografou, como para Emmanuel que prefaciou e a FEB que publicou, Roustaing foi coadjutor (auxiliar, colaborador, assistente, ajudante) de Allan Kardec, tendo recebido dos Espíritos Superiores, que assistiam o mestre lionês, a missão de "organizar o trabalho da fé".

Quem levantou a lebre e deu início à polêmica que essa citação criou foi o saudoso confrade Dr. Henrique Andrade, fundador do jornal "Mundo Espirita" e autor de "A Bem da Verdade" em que ataca o roustainguismo. Ao lado dele se posicionaram outros grandes escritores como Júlio Abreu Filho, J. Herculano Pires e Luciano Costa.

Não podemos, por falta de espaço, reproduzir aqui toda a argumentação usada pelo saudoso e querido amigo Gélio Lacerda da Silva, que da pág. 87 até 94, de sua obra nos mostra bem o absurdo daquela citação feita por Humberto de Campos (Espírito), endossada por Chico, Emmanuel e todos os diretores da F.E.B.

Queremos dizer apenas o seguinte: todo coadjutor, auxiliar, ajudante, assistente, deve, por dever de ofício, acompanhar de perto seu superior hierárquico, prestando-lhe a devida assistência em todos os momentos de sua vida pública. Quem não age assim, é um péssimo secretário.

Pois bem, no caso de Roustaing, supostamente dotado de todas as credenciais que lhe foram atribuídas e possuidor da nobre e difícil tarefa que lhe foi outorgada, era para estar sempre ao lado de Allan Kardec, para fazer jus à nobre função que lhe foi dada.

Vejamos, no entanto, a verdade dos fatos. Kardec vivia em Paris e foi lá que entrou em contato com os Espíritos Superiores da falange gloriosa do Espírito de Verdade, que lhe ditaram a obra da Codificação. Roustaing vivia em Bordéus, onde lhe foram entregues as mensagens que transformou em livro, publicado em três volumes.

Kardec, com sua autoridade de chefe e supervisor máximo do Espiritismo, realizou várias viagens, atendendo sempre a convite dos confrades das cidades, onde a Doutrina havia penetrado com toda a força. Uma dessas cidades, foi Bordéus, onde J. B. Roustaing já era famoso e respeitado como advogado.

Na Revista Espírita Ano IV, nº 11, de novembro de 1861, pág. 343 (traduzida por Júlio Abreu Filho e publicada pela EDICEL), Allan Kardec nos mostra como transcorreu sua viagem a Bordéus e como foi recebido, na estação ferroviária, pelos espíritas locais, que lhe deram provas de "simpatia, atenções e delicadezas" (pág. 345). Fizeram questão, inclusive, de promover uma "reunião geral dos espíritas bordeleses", onde Kardec foi saudado pelo Sr. Sabo (diretor-presidente do centro espírita freqüentado pelo Sr. Roustaing) e outros oradores.

Pois bem, Roustaing, que dizem ter sido "coadjutor de Kardec" não estava a seu lado durante a viagem, não desceu com ele na estação onde foi recebido com tantas provas de carinho e não compareceu à reunião geral convocada para a saudação e homenagens ao querido Mestre lionês. Omitiu-se, completamente. Sim, OMITIU-SE, coisa que um coadjutor, auxiliar, ajudante, assistente, nunca poderia ter feito, sob pena de ser imediatamente demitido do cargo.

Diante desta verdade evidente, como é que se pode acreditar no que disse o Espírito de Humberto de Campos nesse seu famoso livro em que ridiculariza Jesus e faz a apologia do Cordeiro de Deus?! Onde o bom senso?!

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