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PREDOMÍNIO DO ROUSTAINGUISMO NA FEB

 

                Do livro “BEZERRA DE MENEZES” de Canuto Abreu, publicado pela Editora da Federação Espírita do Estado de São Paulo, extraímos o seguinte trecho:

                “... como O Evangelho segundo o Espiritismo’de Allan Kardec era um comentário, não aos Evangelhos de Jesus, mas aos princípios basilares da doutrina de Jesus (...) buscaram (os místicos, grupo de espíritas recém saídos do Catolicismo Romano) uma obra mais vasta (...) O livro de Roustaing, (‘Os Quatro Evangelhos’), chegara ao Brasil muito cedo, quase ao mesmo tempo que os livros de Kardec. Os espíritas evangélicos mais cultos, à frente dos quais se achava o mais erudito de todos, - Bittencourt Sampaio – tomaram Os Quatro Evangelhos como vade-mécum e o levaram à altura de última palavra sobre a doutrina de Jesus.

                “O livro de Roustaing apresentava o mesmo valor doutrinário de O Livro dos Espíritos de Allan Kardec, isto é, ambos atribuíam o que estava escrito a uma revelação ditada. Mas tinha sobre a obra de Kardec uma vantagem para o crente: todas as explicações eram dadas como advindas dos próprios evangelistas (Mateus, Marcos, Lucas e João), assistidos pelos apóstolos, e estes, a seu turno, assistidos por Moisés.

                “Os crentes dispensam em regra as provas. Contentam-se com a presunção de boa fé.

                “O roustanismo pôde, assim, graças à tolerância dos Espíritas evangélicos ganhar adeptos entre os (Espíritas) místicos (...) A obra de Roustaing concorreu, entretanto, para dividir os crentes e criar dificuldades invencíveis à desejada harmonia de vistas. Os espíritas cristãos passaram a formar dois grupos bem distintos: os kardecistas e os roustanistas. Os kardecistas tinham (e têm) Deus como único Senhor, causa primeira de todas as coisas. Para os kardecistas, Jesus era (e é) o mestre, o irmão maior. Não dão ao Cristo quaisquer característicos de deidade (divindade). Já para os roustanistas, Jesus é o Senhor, igualzinho a Deus. eles distinguem o Pai e o Filho, mas lhes atribuem uma única deidade (ou divindade). Os roustanistas veneram uma Senhora (Maria, a Virgem-Mãe de Deus (Jesus). Os kardecistas não. Para os roustanistas, o corpo de Jesus era somente fluídico (tese docetista). Para os kardecistas, o corpo de Jesus era de carne e osso, como o de qualquer ser humano...” (págs. 81 e 82)

                Prosseguindo em suas considerações históricas, diz Canuto Abreu: “... como a Federação (Espírita Brasileira), i ficar nas mãos dos adeptos do roustainimo, compreenderam os kardecistas e os espiritistas puros (os científicos) que teriam, mais cedo ou mais tarde, de se retirar e lutar contra ela, por causa da desinteligência de princípios.

                “Na Assembléia Geral do dia 3 de agosto de 1895, convocada para examinar a situação financeira da instituição e eleger a nova Diretoria da FEB, o Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, do grupo dos roustanistas, obteve 19 votos e os científicos, apenas 2.

                “Ao ser empossado por Elias da Silva, Bezerra de Menezes expôs o seu pensamento...” (pág. 83)

                Deixou bem claro que precisava de carta branca para dirigir a instituição, tanto sob o ponto de vista material como sob o ponto de vista espiritual.

                Ao terminar o seu pronunciamento, como Presidente da Federação Espírita Brasileira, Bezerra de Menezes fez uma prece de agradecimento a Deus, a Jesus e a Maria.

                E assim, - comenta Canuto Abreu -, “a FEB iniciou a fase dos místicos (roustainguistas) que dura até hoje”.

               

NOSSO COMENTÁRIO    

 

A partir de então somente pode ser eleito e empossado presidente da Federação Espírita Brasileira quem se declare, abertamente, adepto de J. B. Roustaing, como acontece ainda hoje!

Por outro lado, o médium de Pedro Leopoldo, Francisco Cândido Xavier, ao se ligar aos presidentes da FEB, desde o lançamento de sua obra psicografada “Parnaso de Além Túmulo” e da publicação pela FEB do seu livro também psicografado “Brasil, Coração do Mundo e Pátria do Evangelho”, em que deixou bem claro que J. B. Roustaing foi “coadjutor” (auxiliar) de Allan Kardec, contribuiu bastante para tornar maior ainda o poder ditatorial dos presidentes da FEB roustainguista. Da mesma forma pode-se dizer em relação à atitude injustificável de Lins de Vasconcelos, forçando, em princípios de outubro de 1949, a realização daquele desastrado encontro, na sede da FEB, no Rio de Janeiro, do qual resultou o acordo conhecido como “Pacto Áureo”. Criou-se assim o Conselho Federativo Nacional, cujas reuniões periódicas são presididas pelo presidente da FEB roustainguista..

Ficava pois restabelecido aqui, na Pátria dos “Quatro Evangelhos” de Roustaing, o Tribunal da Santa Inquisição ou Santo Ofício que tem, como presidente espiritual, o padre jesuíta Manoel da Nóbrega. No século passado, seu pseudônimo era Emmanuel. 

E ai dos que se manifestarem contrários à estrutura montada pelos roustainguistas com a criação da Federação Espírita Brasileira! Ai dos que se revoltarem contra o poder central! Têm que permanecer com a boca fechada nas reuniões dos centros espíritas e nas atividades dos Congressos, promovidos pela FEB com a presença de representantes das Federativas Nacionais. Têm que continuar amordaçados.