ofplogo.gif (4994 bytes)   


POR QUE DEVEMOS ASSISTIR AO FILME SOBRE BEZERRA DE MENEZES

 

            Este é o título de um excelente artigo de autoria de Fernando Climaco Santiago Maciel, de Pernambuco, transcrito no jornal “Comunicação Espírita” nº 69.- Ano XII

            Ele faz um comentário muito bom sobre o apelo insistente que se fez via Internet, convocando os espíritas para que compareçam maciçamente nos cinemas, garantindo assim uma boa bilheteria e a permanência do filme em cartaz por mais tempo.

            Na verdade, como diz Fernando Climaco “o cinema é um dos meios universais de comunicação e não há como ‘produzir’ platéia artificialmente.

            “Cabe-nos refletir como líderes, formadores de opinião, no modus operandis  da nossa divulgação doutrinária, que tem circulado, quase exclusivamente, de espíritas para espíritas, sem conseguir dialogar com a sociedade”.

            E, procurando deixar bem claro seu comentário, ele diz: “Espíritas oradores fazem palestras para espíritas que dizem ‘assim seja’ no final. Espíritas ensinam nos seminários e fóruns para espíritas que assistem e aplaudem. Espíritas e Espíritos, publicadores de livros, escrevem para espíritas leitores que lêem e compram outro livro espírita, logo em seguida.

            “Espíritas compositores, escrevem suas músicas espíritas para espíritas que ouvem e aplaudem os músicos espíritas. Espíritas atores protagonizam romances espíritas para espíritas que assistem e aplaudem, enquanto aguardam a próxima peça espírita para ir ao teatro de novo.”

            E tem mais, acrescenta o ilustre confrade: “A linguagem que usamos na maioria desses momentos de comunicação é um português recodificado para um dialeto que os próprios espíritas não utilizam no cotidiano, repleto de expressões e ênfases incomuns, linguagem rebuscada e cheia de sinônimos desnecessários e de difícil compreensão para a maioria das pessoas...”

            Mais adiante, o Sr. Fernando Climaco diz com muita propriedade: “No campo da literatura espirita, vivemos uma avalanche de publicações comerciais de baixa qualidade, boa parte auto-intitulada ‘mediúnica’ e não questionamos. Na hora de comprar livros de autores não espíritas (se é que fazemos isto!), exigimos qualidade e originalidade e o autor nem precisa ter morrido. O conteúdo, afinal, é o mais importante (ou não é ?!).

            “Vivemos uma completa dubiedade, com comportamentos distintos, de acordo com o meio, como se na convivência com outros espíritas, entrássemos numa dimensão com outra linguagem, outros padrões, outras regras, e aí não vivemos o mundo como ele é, tornando-nos um gueto, um partido, uma casta encaixotada pelos conceitos que deveriam ser rota para a liberdade.

            “Tomamos posse da Doutrina e temos dificuldade de compartilhá-la fora dos modelos comportamentais e de linguagem moldados nos últimos 150 anos. Vale ressaltar que Kardec não escreveu para espíritas (até porque nem existiam ainda espíritas), mas, sim, para os homens e mulheres da sociedade francesa e européia da época, com uma linguagem universal, rica em comparações e exemplos, sem jargões e accessível a todos de seu tempo.... ”.    

            No final do seu brilhante artigo, o Sr. Fernando Climaco diz que espera que o filme sobre a vida e a obra de Bezerra de Menezes bata recordes de bilheteria por sua qualidade, por um marketing bem feito e pela atuação de autores do quilate de um Vereza. Que o público sinta-se atraído pela própria mágica do cinema que entretém multidões.

            “Dessa forma”, conclui ele, “ficaremos duplamente felizes pela divulgação da vida do extraordinário Bezerra de Menezes e por ver uma iniciativa espirita com capacidade de concorrer e ocupar os espaços da mídia por sua qualidade e pela competência de sua produção”.

NOSSO COMENTÁRIO

                Muito bem, prezado confrade, apreciamos muito suas reflexões e concordamos com  tudo que o Sr. disse sobre o filme, exaltando a figura brilhante do Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, um dos pioneiros do Espiritismo, que, quando no plano físico, realizou um belo trabalho de assistência às pessoas carentes, pelo que foi cognominado o “médico dos pobres”. Sendo católico fervoroso, soube enfrentar com coragem o preconceito religioso, e, publicamente, se declarar espírita.