ofplogo.gif (4994 bytes)OS QUATRO PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO ESPIRITISMO


O Sr. Gerson Simões Monteiro, digno Presidente da União das Sociedades Espíritas do Estado do Rio de Janeiro, na coluna dominical intitulada "EM NOME DE DEUS" do jornal "Extra", publicou um artigo intitulado "KARDEC NO MUSEU ESPÍRITA", no qual, ele começa ressaltando qual é a finalidade do Espiritismo, que, como todos nós sabemos, é tornar o homem moralmente melhor, fazendo dele um homem de bem.

Ressalta ainda que o espírita, para alcançar o seu progresso moral, tem que ter sua fé baseada em quatro princípios fundamentais. E cita quais são esses princípios: 1º) a crença na existência de Deus; 2º) a crença na imortalidade da alma; 3º) a evolução dos Espíritos; 4º) a comunicação com os Espíritos desencarnados.

Muito bem! Concordamos plenamente com o que ele diz em seu artigo, que, por sinal, está muito bem escrito e, o que é mais importante, fundamentado na Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec.

Estranhamos apenas uma coisa: é que ele não faz menção alguma à doutrina apresentada em 1866 por J. B. Roustaing, que, por ser, a "revelação da Revelação", como está na obra "Os Quatro Evangelhos". Foi mesmo considerada por Ismael Gomes Braga, (autor do livro "Elos Doutrinários"), um "curso superior de espiritismo". Sim, um curso tão importante que aparece no art. 1º, parágrafo único do Estatuto da FEB, como obra complementar à das obras básicas do Espiritismo, devendo, portanto, ser estudada em sua profundidade.

Pergunta-se então com muita lógica: - Por que o Sr. Gerson Simões Monteiro, em seu valioso artigo de fundo, omitiu esse aspecto importante? Sim, por que?

Esta indagação tem sua razão de ser, porque ele, logo no início, faz referência a Deus como sendo a "inteligência suprema do Universo , criador de todas as coisas". Todavia, quem leu, como eu li, a obra de Roustaing, vê, claramente, que, na concepção roustainguista, como na Doutrina Católica, a idéia da Divindade está contida no mistério da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Então Deus é representado não por uma inteligência suprema, como disseram os Espíritos a Kardec, mas, sim, por três pessoas numa só, sendo que Jesus, que, como Kardec provou em "Obras Póstumas", nunca aceitou nem admitiu ser chamado de Deus mereceu dos roustainguistas esta classificação, por ter sido, misteriosamente, concebido pelo Espírito Santo. Deve, portanto, ser considerado Deus, porque está enquadrado como sendo a Segunda pessoa da Santíssima Trindade.

Isto foi encampado pelos dirigentes da Federação Espírita (Roustainguista) Brasileira, com o aval dos kardecistas coniventes com ela por causa desse mito da unificação, que se criou em fins de 1949, com o tal "Pacto Áureo", tão criticado por muita gente boa, a começar pelo prof. J. Herculano Pires. (Ver a 1ª parte de "O Verbo e a Carne").

Ora, como o art. 1º do Estatuto da FEB, não pode ser alterado, por força de uma liminar da Justiça, o movimento espírita brasileiro, que reconhece a chamada "Casa Mater" como sua dirigente máxima, tem que conviver, coniventemente, com esse grande absurdo: Deus é a inteligência suprema, segundo Kardec, mas também é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, segundo Roustaing.

Afinal, Sr. Gerson Monteiro, com quem o Sr. está: com Kardec, que em "O Livro dos Espíritos" afirma que Deus é a inteligência suprema ou com os dirigentes da FEB, que, como os católicos, afirmam que Deus são três pessoas contidas numa só, sendo que Jesus, concebido pelo Espírito Santo, num momento infeliz em que Maria cometeu um desvio de conduta conjugal, é a Segunda pessoa das três que formam a Divindade.

Sr. Gerson, como dirigente máximo de uma instituição tão importante como a U.S.E do Rio de Janeiro, o Sr. não pode se omitir a respeito desse tema tão grave. Seja mais claro e responda aos seus leitores: o Sr. também está servindo a dois senhores: Kardec e Roustaing? Em caso afirmativo, o Sr. sabe que Jesus, o Homem de Nazaré (não o agênere mentiroso de Roustaing e da FEB) afirmou categoricamente, que "não devemos servir ao mesmo tempo a dois senhores, ou seja a Deus e a Mamon". E, diante desta evidência, o Estatuto da FEB, em seu art. 1º deve continuar como está?! Seja franco.

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