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ERASTO, DISCÍPULO DE S. PAULO

Diz a Bíblia em "O Novo Testamento" que o Apóstolo Paulo, quando realizava sua terceira viagem missionária, chegou a Éfeso, cidade da Jônia (Ásia Menor), onde permaneceu cerca de três anos e onde pregou a palavra do Senhor Jesus, o Homem de Nazaré. Pretendia seguir viagem em direção a Jerusalém, passando pela Macedônia e pela Acaia, de onde então seguiria para Roma. (Atos, XIX, 1).

Antes, porém, de partir, ele fez o que sempre costumava fazer: mandou na frente dois dos seus companheiros fiéis e dedicados, para servirem de arautos da boa nova, como nos informou Lucas: "E, enviando à Macedônia dois daqueles que o seguiam, Timóteo e Erasto, ficou Paulo por algum tempo na Ásia" (Atos, XIX, 22).

Não devemos confundir esse "Erasto", jovem que acompanhava o Apóstolo dos gentios em sua peregrinação evangélica, "pessoa simples, sem grande instrução nem distinção social, pertencente à classe humilde" com aquele outro "Erasto", "personagem muito importante, tesoureiro e procurador da cidade de Corinto" (Ernesto Renan, em S. Paulo, cap. VIII, pág. 166 e cap. XIV, pág. 284, citando a Epístola de Paulo aos Romanos, XVI, 23).

Os dois pregoeiros do Evangelho, chegando a Corinto, cidade importante do Mar Egeu, "muito povoada, rica, brilhante, freqüentada por muitos estrangeiros, centro de um comércio ativo...", como nos informa Renan (obr. cit. pág. 162), ali ficaram esperando a chegada do grande Apóstolo, e, tão logo este chegou, se separaram, pois Erasto ali permaneceu enquanto Timóteo seguiu rumo a Éfeso. (Renan, obr. Cit. pág. XXVI da Introdução).

Por que estamos apresentando estes dados referentes a Erasto, Discípulo de São Paulo, jovem simples, sem grande instrução, sem posição social de destaque, que, depois de sua conversão ao Cristianismo primitivo, acompanhou o Apóstolo dos Gentios em suas viagens de divulgação da Boa Nova?

A resposta é muito simples. É porque foi seu Espírito que, no século XIX, integrou a gloriosa equipe do Espírito de Verdade ditando instruções utilíssimas, que aparecem nas obras básicas da Codificação, bem como as Epístolas que aprecem na Revista Espírita de outubro de 1861, dirigida aos Espíritas Lioneses e na de novembro do mesmo ano, dirigida aos espíritas de Bordéus, e que Kardec fez questão de ler na reunião geral dos espíritas bordeleses, realizada em 14 de outubro de 1861 (Ver essa dissertação de Erasto na Coleção EDICEL, págs.364 a 368).

A propósito, na brochura intitulada "História de Roustaing", de autoria de Jorge Damas Martins, pág. 23, há uma referência a essa visita que Kardec fez em outubro de 186l a Bordéus, quando, primeiro em uma reunião geral e depois num banquete em sua homenagem, um dos oradores, Dr. Bouché de Vitray, fez, de fato, uma referência elogiosa a Roustaing (Edicel, pág. 353). Mas, nem aquele orador, naquele momento importante, explicou ao ilustre homenageado e ao público presente, o motivo da ausência do Dr. Roustaing, nem seu admirador atual, Sr. Jorge Damas Martins, também o fez na brochura por ele publicada em 1987.

E é de se estranhar mesmo a ausência de Roustaing, tanto na reunião geral como no banquete oferecido a Kardec, porque, antes, no mês de junho desse mesmo ano, em carta dirigida ao Codificador do Espiritismo, ele deixou bem claro que considerava Kardec seu "caro senhor e muito honrado chefe espírita". E terminou essa correspondência, declarando: "Adeus, meu caro senhor. (...) Eu me proporia a fazer uma viagem a Paris, para ter o prazer de vos conhecer pessoalmente, de fraternalmente vos apertar a mão." (Edicel, págs. 179 e 182).

Mas, voltando a Erasto, Discípulo de São Paulo, figura da maior importância para nós, espíritas, devemos lembrar que por ter sido companheiro do Apóstolo dos gentios, na época de Jesus, o Homem de Nazaré, foi canonizado santo e é reverenciado no dia 26 de julho. Todavia, seu nome não aparece no livro "Paulo e Estêvão", de autoria de Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier e publicado pela Federação Espírita Brasileira; ao contrário de Timóteo, cujo nome aparece quarenta e duas vezes. Sim, repito: QUARENTA E DUAS VEZES.

Gostaria que os distintos leitores se pronunciassem sobre isto!

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