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O ESPIRITISMO E AS RELIGIÕES

                                   Léon Denis

                                               “O Espiritismo não é inimigo das religiões, ao contrário,  fornece-lhes poderosos elementos de valor e de regeneração.

Os conhecimentos que ele nos proporciona sobre a vida no Além e as condições em que se desenvolve a existência após a morte, a certeza de leis justas e eqüitativas regendo o Mundo Invisível, formam outros tantos meios de análise e de exame crítico, permitindo separar, nas religiões, o que é artificial e ilusório do que é real e imperecível.

            Não há dúvida de que os fenômenos do Espiritismo se encontram na origem de todas as religiões, porém, estas lhes emprestam um caráter sobrenatural e milagroso, transferindo-os para um passado remoto e fazendo-os perder toda a importância sobre a vida moral e social.

            O intercâmbio com o Invisível era apenas hipótese, uma vaga esperança; com o Espiritismo, torna-se certo e permanente.

            Estamos vivendo uma das maiores épocas de transição da História. Os fatos que se estão desenrolando, as cruentas lutas dos povos e as subversões sociais são o começo, a preparação de uma nova ordem de coisas.

            Quando terminar a guerra, a mente humana analisará todos os seus aspectos e procederá a um exame profundo de todas as forças que agiram no decorrer desses trágicos anos. Então comprovaremos que são as idéias que conduzem o mundo. O patriotismo, ao unir os corações dos franceses, conteve a invasão, limitando seus estragos.

            O amor pela terra natal acordou o heroísmo que, apoiado pelos auxílios poderosos do mundo oculto, salvou a França.

            Por isso a idéia de pátria terá que ocupar um lugar especial no ensino da educação popular. Entretanto, isso não será o bastante: para terminar  com nossas desavenças, nossas rivalidades, lutas de classes e de interesses, é preciso, antes de mais nada, unir inteligências e consciências, pois sem a harmonia das almas, não poderá haver a harmonia social.

            Todavia, como se poderá preparar tal união? Trabalhe-se com ardor, com espírito de tolerância e concórdia, para aproximar os objetivos, as aspirações e as crenças. Dois poderosos meios se apresentam: a Ciência e a fé.

            Antagônicos na aparência, essas tendências se conciliam e se completam mutuamente (...) Elas podem fornecer facilmente uma concepção da vida e do destino, uma noção das leis superiores e uma base moral, coisas essas que são indispensáveis à nossa perturbada sociedade e sem as quais a existência seria vazia de sentido, sem finalidade e sem sanção.”

            (Extraído do livro “O Mundo Invisível e a Guerra”, cap. IX – Edição do Centro Espírita Léon Denis, do Rio de Janeiro/RJ, págs. 105 a 107)

 OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Este capítulo do livro de Léon Denis foi escrito em fevereiro de 1917, quando o mundo cristão, dito civilizado, já caminhava para o final da 1ª Grande Guerra. Anos mais tarde, com a ascensão do nazismo, na Alemanha de Hitler e do fascismo, na Itália de Mussolini, ambos aliados do Império do Japão de Hiroíto, deu-se no mundo uma nova conflagração que ficou na História como a 2ª Grande Guerra (de 1939 a 1945)

            Léon Denis, que desencarnou em 1927, lá em cima,  como Espírito, deve ter acompanhado com muita tristeza os acontecimentos, e, sobretudo, seu exaltado amor pela Pátria, deve ter sofrido bastante diante da ocupação da França pelas tropas de Hitler, com a conseqüente instalação do Governo de Vichy.

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