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 31 DE MARÇO
 DESENCARNAÇÃO DE ALLAN KARDEC

     Vejamos como foi que o escritor Demóstenes Jesus de L. Pontes, em seu magnífico livro – “ALLAN KARDEC = A Epopéia de uma Vida”, brilhantemente, apresentou os últimos anos de vida do Codificador do Espiritismo e criador da Ciência Espírita:

     “Já no ano de 1863, Kardec sofrera, no mês de janeiro, um ataque cardíaco. Seria o primeiro e sério aviso, ao qual ele, engolfado nos trabalhos de prosseguimento e finalização da Codificação Espírita não dera a importância devida. Ao contrário, passada a borrasca, retornava, imediatamente, à sua faina missionária, lutando contra o tempo.

     “No entanto, com o correr dos dias, Kardec sentia-se cada vez mais enfraquecido fisicamente, em decorrência do excessivo trabalho, que, àquela altura, mostrava-se superior às suas forças.

     “Foi quando, em 23 de abril de 1866 recebeu, com o concurso do médium Sr. Didier, uma comunicação referente à sua saúde. Recomendava-lhe o Instrutor Espiritual, Dr. Demeure: “ - Precisas de repouso; as forças humanas têm limites que o desejo de que o ensino progrida te leva muitas vezes a ultrapassar...” (Obras Póstumas)

     “Kardec, no entanto, apesar das canseiras, advindas do constante trabalho, e da doença cardíaca, que avançava lentamente, continuava a trabalhar sem destemor e com afinco. Levantava-se, invariavelmente, por volta das 4h30min., instalando-se em seu gabinete de trabalho, e aí dava início à árdua tarefa de pôr em dia parte da volumosa correspondência recebida. Depois de se desincumbir dessa penosa tarefa, naturalmente manuscrita, viriam os trabalhos de redação dos artigos da revista e a supervisão das obras em andamento, para afinal, atender aos inúmeros visitantes, que, diariamente, acorriam ao seu apartamento (...) À noite, ainda, receberia, sem se queixar de cansaço, amigos íntimos, como Victorien Sardou, Camille Flammarion, Eugene Nus, Laymarie, Didier e outros, cujos enriquecedores serões estendiam-se até altas horas, convindo ainda lembrar que, às noites das sextas-feiras, o seu trabalho ainda era mais fatigante, para o seu organismo abalado pela doença, porquanto teria que dirigir as sessões e comentar as diversas mensagens recebidas, para uma platéia sempre ávida da palavra esclarecida do mestre.

     “Além do excesso de trabalho e da sua crescente enfermidade cardíaca, as críticas ignominiosas, os  insultos sem conta, as traições recebidas  -  até de alguns confrades  -  e as solertes cartas anônimas, tudo isso concorria, igualmente, para lhe arruinar, cada vez mais, a sua já abalada saúde. Nessas horas, valia-se do apoio e da carinhosa ajuda de sua Gabi e do conforto de amigos desinteressados (...)

     “Alertado pelos visíveis sinais de sua enfermidade, e, ainda, informado por seu Guia Espiritual, Kardec tinha perfeita noção de que os seus dias estavam contados: os dez anos profetizados por aquele benfeitor espiritual, como limite de seu trabalho, achavam-se próximos do fim.

     “Ante essa certeza e, no intuito de deixar a sua obra, o quanto lhe fosse possível, acabada, retomou a elaboração de um velho projeto  -    “A Constituição do Espiritismo”  -  que, terminado, veio a publicar no número de dezembro de 1868 da Revista Espírita, que, no seu dizer, destinar-se-ia “a fortalecer os laços da grande família, pela unidade de crença” (...)

     “Foi, na manhã de uma quarta-feira, 31 de março de 1869, em sua residência da Rue Saint-Anne, que o nosso abençoado Allan Kardec partiu, após uma vida programada de lutas e vivificantes exemplos, para a Pátria Espiritual, deixando atrás de si uma herança luminosa  -  A Codificação Espírita  -, que viria ensejar uma vivificante guinada do Cristianismo em direção à transformação moral da sociedade, a marcar, com línguas de fogo, o século XIX, como o tempo predito pelo Messias, para a chegada à Terra do Consolador Prometido (...)

     “Foi numa sexta-feira, 2 de abril, que se deu o enterro de Allan Kardec. O cortejo fúnebre seguiu em direção do Cemitério de Montmartre (...) O corpo foi colocado junto à cova para as últimas despedidas, antes de processar-se o enterramento. Diversos amigos e seguidores da Doutrina prestaram a última homenagem ao ilustre finado...” (Obra citada, págs. 213 a 222).