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DECLARAÇÃO OFICIAL DA FEB

     Em fevereiro de 1978 o “Reformador” lançava ao público a seguinte declaração oficial: “A Federação Espírita Brasileira, na sua condição de Casa-Mater do Espiritismo no Brasil e de legítima representante do Movimento Espírita Brasileiro, não só por motivos tradicionais e estatutários, mas porque congrega efetivamente, em seu Conselho Federativo Nacional, as instituições federativas espíritas estaduais, a ela livremente adesas, as quais federam , por sua vez, no mesmo regime de livre adesão, as mais representativas entidades espíritas legalmente constituídas em cada Estado da República Federativa do Brasil, cumpre o dever de declarar aberta e definitivamente que: 1. É imprópria, ilegítima e abusiva a designação de ESPÍRITAS adotada por pessoas, tendas, núcleos, terreiros, centros, grupos, associações e outras entidades que, mesmo quando legalmente autorizadas a usar tal título, não praticam a Doutrina Espírita, tal como foi clara e formalmente definida no editorial de “Reformador” de setembro de 1977, Ano 95, nº 1782; 2. O Espiritismo é uma Doutrina de princípios estabelecidos com clareza e exatidão, tal como foi apresentada no editorial de “Reformador” de outubro de 1977, Ano 95, nº 1783, e não se confunde com quaisquer outras ciências, filosofias, religiões, movimentos, sincretismos, folclore, crenças ou crendices; 3. Não são espíritas, mesmo que assim se digam, nem médiuns espíritas, mesmo que sejam médiuns, os que não se enquadram nas definições doutrinárias contidas no editorial de “Reformador” de novembro de 1977, Ano 95, nº 1.784; 4. A verdadeira Doutrina Espírita e o legítimo Movimento Espírita nada têm a ver com crimes, imoralidades, vícios, explorações, rituais, liturgias, despachos, iniciações, propiciações, banhos, descargas, amuletos, terreiros, nem com infrações penais, freqüentemente noticiadas pela Imprensa, ocorrentes em locais, em instituições ou com pessoas que são rotuladas de espíritas, mas que pensam e agem em completa contradição com os postulados do Espiritismo, codificado por Allan Kardec, mesmo quando, em termos de direito humano, possam usar legalmente o título de espíritas; 5. A Federação Espírita Brasileira nunca adotou e não adota qualquer providência judicial ou administrativa para impedir o uso da designação de ESPÍRITAS  por pessoas e instituições que desvirtuam, desacreditam e desmerecem o Espiritismo, por duas razões principais, a saber:  -  primeiro, porque não se permite, sob nenhum pretexto e em nenhuma hipótese, ferir, nem justificar  que se fira a mais plena liberdade de crença, de pensamento e de ação lícita, dentro dos exatos limites e nos justos termos da moral espírita-cristão, explicitada na Doutrina codificada por Allan Kardec; em segundo lugar, porque não adota, nem aceita que se adote em Espiritismo, qualquer hierarquização organizacional juridicamente constituída que retire do Movimento Espírita a característica marcante que decorre da total liberdade e da completa e correspondente responsabilidade de cada pessoa física ou jurídica, perante Deus, perante a sociedade humana e perante as leis e as autoridades públicas; 6. O Espiritismo é absolutamente incompatível, doutrinária e moralmente, com todos e quaisquer sistemas, ideologias, doutrinas, filosofias, credos, movimentos ou teorias de caráter materialista, extremista ou teocrático, sejam comunistas, fascistas, anarquistas, racistas, permissivistas ou semelhantes de qualquer tipo ou denominação. Nenhum desses sistemas, doutrinas, filosofias, movimentos ou credos, políticos, sociais, religiosos, literários ou artísticos, jamais teve, não tem e nunca terá qualquer apoio ou simpatia, e, muito menos, qualquer ajuda, direta ou indireta, declarada ou oculta, da Federação Espírita Brasileira.

                Rio de Janeiro/RJ, 02 de janeiro de 1978”

        (Assinado)             Francisco Thiesen

                                                  Presidente

 

NOSSO COMENTÁRIO

     É preciso que se saiba que essa “Declaração Oficial da FEB” só saiu devido à pressão dos membros do Clube dos Jornalistas Espíritas, presidido por José Herculano Pires, articulista do “Diário de São Paulo”, que, em sua coluna espírita, nesse periódico, deixou bem claro que “a mediunidade não é uma invenção espírita” e que “Espiritismo não é mediunismo”. E mais: “Do ponto de vista doutrinário, é simples absurdo, verdadeira aberração, dizer que Umbanda é Espiritismo”.

     Por outro lado, eu vejo nessa Declaração Oficial da FEB: a) uma confissão de culpa de seus dirigentes máximos, sim, o reconhecimento de que erraram barbaramente ao equipararem a Umbanda ao Espiritismo; b) vejo também uma atitude tímida, fraca, pusilânime, de quem, por ter errado antes, não se sente com força moral para recorrer à Justiça e assim debelar o mal, que já vinha ocorrendo antes com a própria anuência dos  dirigentes da FEB.

      É como quem diz assim: “Vocês estão completamente errados, mas, continuem agindo assim, erradamente, que não lhes faremos mal nenhum. Afinal,  nós também erramos,  cometemos os mesmos erros que vocês estão cometendo. Continuem, pois, se declarando espíritas, que continuaremos fingindo que não há nada de errado nisso; continuaremos com os olhos e os ouvidos completamente fechados”.

      E o resultado aí está: continuam funcionando a pleno vapor os chamados “terreiros e tendas de Umbanda” e os “centros e grupos de Espiritismo de mesa”, que, congregados em seus objetivos, constituem a conhecida Federação Brasileira de Espiritismo de Umbanda.

      A propósito, deve-se ler o que disse Jorge Rizzini na Biografia de J. Herculano Pires, o Apóstolo de Kardec: “Devemos registrar ainda que a União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, não obstante filiada à Federação Espírita Brasileira, enviou  a Wantuil de Freitas um documento com dezesseis páginas, refutando, uma por uma, todas as absurdas declarações do Conselho Federativo Nacional da FEB, (feitas durante os Simpósios de Curitiba, Salvador, Belém e Goiânia, publicadas na revista “Reformador” de maio de 1956). “E, - prossegue Rizzini -,  “a revista  “Reformador”, como era, aliás de se prever, ocultou dos seus leitores a reação que o escândalo febiano provocara na seara espírita” (pág. 103)