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“UM ASSUNTO RELAVANTE”

    

                Em fins de fevereiro de 1974, escrevi uma carta ao Prof. Deolindo Amorim, com o objetivo de saber sua opinião sobre a reencarnação de Allan Kardec, anunciada pelo Espírito de Verdade em junho de 1860.

                Em carta datada do mês seguinte (3 de março), ele me respondeu, dizendo: “É um assunto relevante como estudo doutrinário (...) Achamos possível, dentro da própria lógica da reencarnação, que Allan Kardec já tenha reencarnado. Acredito, porém, que até agora, não se conseguiu identificar Allan Kardec entre nós. Talvez (quem sabe?...) já tenha vindo e voltado, ou talvez até ainda esteja por aqui, mas não temos, sinceramente, elementos para dizer onde e como Allan Kardec esteja reencarnado (...) é preciso muita prudência (...) tudo que se tem falado sobre isso é hipótese; especificamente, porém, não podemos fazer afirmações”.

 Em 22 de dezembro de 1977, em nova carta que dirigi ao Prof. Deolindo Amorim, fui bem claro ao afirmar: “Vou lhe fazer agora uma revelação extraordinária: tinham razão tanto o Espírito Zéfiro como o Espírito de Verdade. Allan Kardec está realmente reencarnado. Não é nenhuma hipótese, não; é uma certeza absoluta. Ele reencarnou em Porto Alegre/ RS, em 1° de fevereiro de 1890. Está hoje, portanto, com quase oitenta e oito anos de idade. Em breve lhe direi quem é. Posso dizer-lhe somente que sua atual existência tem sido a de um verdadeiro missionário. Conheço todos os pormenores de sua vida e de sua obra. Mais tarde voltarei ao assunto...”

Em carta de 30 de dezembro do mesmo ano, Deolindo Amorim escreveu-me novamente, dizendo: “... suas ponderações sobre a reencarnação de Allan Kardec devem ser objeto de meditações muito sérias (...) sua responsabilidade é muito grande (...) Aguardemos o tempo...”

Em 17 de janeiro de 1979, meu pai desencarnou em Niterói, quinze dias antes de completar oitenta e nove anos de idade.

Impulsionado por uma força íntima (intuição), comecei então a escrever um livro  sobre o assunto em pauta, ao qual dei o título de “Eu Conheci Allan Kardec reencarnado”. Nele apresentei traços da vida de meu pai, sem declarar, abertamente, que era dele que eu falava. Como não encontrei nenhuma editora espírita que quisesse publicá-lo, tomei eu mesmo esta iniciativa, recorrendo a uma gráfica de Niterói. Ficou sendo, portanto, uma produção independente, como se costuma dizer.

Terminada a impressão de quinhentas unidades, passei eu mesmo a mandar pelo Correio aos confrades e instituições cujos endereços eram do meu conhecimento.

No dia 23 de junho de 1979, escrevi novamente ao meu amigo, Prof. Deolindo Amorim, dizendo: “É com grande alegria e satisfação que lhe envio em anexo um exemplar do meu primeiro livro sobre Allan Kardec reencarnado...”

                Em princípios de julho, recebi nova carta de Deolindo Amorim, datada  de 23 de junho, acusando o recebimento do meu livro, dizendo: “Vou ler o seu trabalho com toda atenção, tanto mais quanto o autor muito me merece, já pela sua cultura, que muito aprecio, já pela maneira fraternal com que me distingue (...) Acho que o título que escolheu para o seu trabalho é realmente muitíssimo grave (...) Seja qual for a minha maneira pessoal de considerar o assunto, farei uma leitura completa do seu estudo...”

                Acredito que ele tenha feito mesmo uma leitura completa do meu trabalho, pois tinha por mim uma grande consideração, tratando-me sempre como seu “estimado confrade e amigo”. Mas, seu parecer sobre o mesmo... Bem, deixa isto pra lá !...

                Sempre tive pelo Prof. Deolindo Amorim muita admiração e respeito. Foi, portanto, com grande alegria e satisfação que recebi do Sr. César Soares dos Reis, atual Diretor Presidente do Instituto de Cultura Espírita o Brasil (ICEB) – Casa de Deolindo Amorim, um amável convite para participar da solenidade programada para o dia 6 de dezembro de 2007, em comemoração ao Cinqüentenário de fundação do ICEP e do centenário de nascimento de Deolindo Amorim.

                Infelizmente, por motivo de força maior, não pude comparecer, mas deixo aqui neste meu boletim as minhas homenagens póstumas a esse grande vulto do movimento espírita brasileiro, que foi o Prof. Deolindo Amorim.