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A VERDADE SOBRE ISMAEL (ESPÍRITO)

 

                Ismael foi uma personagem bíblica. Era filho de Abraão e sua criada Agar, antepassados dos ismaelitas ou árabes

                Segundo a Bíblia, Ismael desposou uma egípcia de quem teve doze filhos, que se estabeleceram na região entre o Egito e o Golfo Pérsico.

Um grande número de tribus pretendia descender de Ismael. Maomé colocou-o então à frente de sua genealogia.

É o que nos informa o dicionário Lello Universal.

Entretanto, para nós, espíritas, não importa o que diz a Bíblia. Importa, sim, o que esse Espírito representa para o nosso movimento. Um grupo o eleva às alturas, considerando-o um “Anjo”. Outro o coloca como o “vilão” da história do Espiritismo. O primeiro é formado pelos roustainguistas, que, em janeiro de 1884 tomaram o poder na chamada Pátria do Evangelho, instalando seu domínio na sede da Federação Espírita Brasileira, na qual somente quem é declaradamente roustainguista pode ocupar o alto cargo de presidente  O segundo é formado pelos antiroustainguistas, que não só repudiam a obra de Roustaing, como, ao mesmo tempo, criticam amargamente a presença do Espírito de Ismael porque, no entendimento deles, não poderia nunca desempenhar o papel de Guia do Brasil. Tenho, inclusive, no meu computador um site, reproduzindo uma exposição brilhante do jovem confrade, Prof. Arthur Felipe Ferreira, da ADE-RJ, que, ao criticar acirradamente os roustainguistas da FEB, acusa Ismael (Espírito) de defensor da “Revelação da Revelação”, portanto, não fiel e leal a Kardec, e, ao mesmo tempo, responsável por ter deixado o movimento espírita, sob a direção da FEB, seguir um caminho diametralmente oposto ao preconizado pelo Missionário lionês, que não só criou a Ciência Espírita como sempre deu ênfase ao aspecto científico do Espiritismo. Dizem então que esse tal “Anjo Ismael” auto-proclamou-se “Guia   Espiritual do Brasil”, impondo, com sua autoridade o estudo regular e metódico da obra “Revelação da Revelação”, assim como impôs a Edgard Armond a obrigação de criar em São Paulo um programa de evangelização a ser posto em prática na Federação Espírita do Estado de São Paulo, como deixou bem claro o Prof. Arthur Felipe.

Embora seja anti-roustainguista declarado, há anos, como provam meus livros, cartas, e-mails  e artigos  de jornais e este meu boletim informativo, - O FRANCO PALADINO – , não  me coloco  na mesma fileira do Prof. Arthur Felipe, que nos apresentou Ismael como o vilão da História do Espiritismo no Brasil . Por que?  É simples explicar.

.Meu pai, Severino Prestes Filho, o verdadeiro Allan Kardec reencarnado, após sua conversão ao Espiritismo, em 1925, não só entrou em contato com o luminoso Espírito de Erasto, que foi quem fez a revelação de sua missão e que passou a ser seu “Guia bem amado”, como veio a saber, por intermédio dele, que Ismael, Espírito superior, de grande envergadura moral, era o Guia Espiritual do Brasil. E, nas sessões familiares de estudo das obras da Codificação Espírita, que papai fazia em casa,  nunca se referiu a Ismael como um “Anjo”.

Ismael sempre se apresentou com simplicidade, com modéstia, com humildade mesmo, e não com arrogância, com autoritarismo, auto-proclamando-se “Guia Espiritual do Brasil” e interferindo no livre arbítrio dos dirigentes dos centros espíritas, criando cargos e funções e indicando as pessoas que deveriam ocupá-los. Isto nunca foi do seu feitio. Daí a admiração e respeito que papai tinha por ele, invocando-o sempre nas preces de abertura e encerramento das sessões familiares  de estudo do “Livro dos Espíritos” e do “Evangelho segundo o Espiritismo”.

É fácil comprovar o que estou dizendo, pois tenho comigo várias gravações dessas preces feitas em casa, nas quais papai sempre deixou isto bem claro: Ismael, um Espírito superior, não o “anjo” dos roustainguistas é que é o “Guia Espiritual do Brasil.

Mas há  outro  meio eficaz para que se comprove a verdade do que estou afirmando:  a evocação dos Espíritos. Sim, a evocação dos Espíritos, em sessões específicas com esse objetivo, realizadas nos moldes preconizados por Allan Kardec, no “Guia dos médiuns e evocadores”, ou seja, “O LIVRO DOS MÉDIUNS”, cap. XXV”.

Bem sabemos que tanto os roustainguistas como os “kardecistas” não praticam esse tipo de pesquisa científica, alegando motivos pueris. Mas, na verdade, não fazem a evocação dos Espíritos porque o Espírito do padre Manuel da Nóbrega, através da mediunidade do Chico, não a aconselhou, como se pode ver em “O Consolador” (Questão nº 369).  Por isso mesmo tanto os roustainguistas, que criaram uma imagem errada de Ismael, como os antiroustainguistas, que criticam a atuação igrejeira da FEB e lançam, injustamente sobre Ismael, a culpa de ser o responsável por esse religiosismo do movimento espírita brasileiro, se deixaram dominar pelo jesuitismo emmanuelista e fazem o que manda a Santa Madre Igreja, que, como Kardec disse em “O Céu e o Inferno” sempre foi contra a evocação dos Espíritos.   

                Muito a propósito, vem-me à cabeça estas palavras ditas por Erasto, numa bela “Instrução” dada em Paris, em 1862: “ – Devemos estar sempre em guarda contra os impostores (...) cabe-nos o dever de os desmascarar...”

                Fica bem claro, pois, que houve “impostura” ou mistificação, porque o verdadeiro Guia do Espiritismo no Brasil não é esse “Anjo”, que vem apoiando o roustainguismo, desde a época dos chamados “pioneiros” e que passou a apoiar também o emmanuelismo, desde o reaparecimento do padre jesuíta Manuel da Nóbrega no início dos anos trinta do século passado.