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ENTREVISTA EXCLUSIVA COM DIVALDO FRANCO

 

                O “Jornal Espírita” de São Paulo/SP, em sua edição do mês de junho de 2006, pág. 9, publicou a entrevista exclusiva concedida por Divaldo Franco à sua redação. Por ser muito grande, não podemos transcrevê-la integralmente em nossas colunas. Fizemos, contudo, questão de destacar dois pontos que consideramos muito importantes: a) sobre a atuação do Conselho Federativo Nacional da FEB; b) sobre a reencarnação de Allan Kardec.

            Disse o grande médium baiano: “Felizmente, o Conselho Federativo Nacional, originado das Entidades Federativas de todo o país, tem trabalhado com afinco, a fim de dirimir conflitos, expandir paradigmas doutrinários, estabelecer linhas de conduta comportamental nas Instituições espíritas, fomentar a fraternidade e o interesse geral pelo bem e pelo respeito que deve viger entre as pessoas em relação umas às outras e às Instituições...”

            Quando o repórter perguntou a Divaldo o que ele tinha a dizer sobre as especulações de que Chico Xavier teria sido a reencarnação de Allan Kardec, ele respondeu: “ – Sinceramente, se ele foi ou não, no meu conceito, em nada lhe aumenta o valor e a dignidade com que realizou o seu ministério.

            “Pelo quanto convivi com ele; nas visitas que lhe fiz desde 1948, em Pedro Leopoldo/MG  até as últimas em Uberaba/MG, em 1994, e, pelo que ouvi dele mesmo, não acredito nessa possibilidade, sem nenhum demérito para o missionário que foi de maneira brilhante”.

 

NOSSO COMENTÁRIO

 

            Em relação ao primeiro item, tenho a dizer que concordo em parte com o que disse Divaldo Franco em relação ao Conselho Federativo Nacional.

          Na minha modesta opinião, já que todos os senhores conselheiros sabem muito bem que a FEB, desde sua origem, é roustainguista, e, por isso mesmo, defende princípios e concepções que Allan Kardec combateu em seu último livro “A Gênese”, não deveria mais o Conselho continuar integrado a ela como um Departamento, como é na verdade, já que, de acordo com o Estatuto da FEB, em seu cap. XI, art. 59, ele é presidido pelo presidente da FEB. Por conseguinte, plenamente vinculado ao poder central. Por isso mesmo, os senhores conselheiros têm que cumprir o que ficou estabelecido no art. 63, ou seja: “O CFN fará sentir a todas as sociedades espíritas do Brasil que lhes cabe pôr em prática a exposição contida no livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, ditado pelo Espírito de Humberto de Campos, psicografado por Chico Xavier, prefaciado por Emmanuel e publicado pela FEB roustainguista; livro este que, como se sabe, contém uma grande mentira, ao afirmar seu autor que J. B. Roustaing foi coadjutor ou auxiliar de Kardec.

          Finalmente, se o CFN não fosse um simples Departamento da FEB e os senhores conselheiros gozassem mesmo de absoluta liberdade de ação, há muito teria sido abolido do Art. 1º do Cap. I do Estatuto da FEB, aquele vergonhoso parágrafo único que diz que “além das obras básicas de Allan Kardec, o estudo e a difusão do Espiritismo compreenderão também a obra de J. B. Roustaing, o que é uma  excrescência ou tumor maligno que precisa ser extraído. O próprio Missionário lionês não admitia isso de maneira nenhuma,  conforme deixou bem claro no artigo crítico de sua autoria, inserido na Revista Espírita de junho de 1866.

            Concluindo, portanto, e, discordando  de Divaldo Franco, para mim o Conselho Federativo Nacional, criado pelo Acordo de outubro de 1949, até agora tem se mostrado omisso e, sobretudo, submisso e conivente com a FEB roustainguista. Não é, como deveria ser, um órgão livre e independente para tomar decisões.

            É por isso que, no Brasil, o Espiritismo e o Movimento Espírita estão cheios de erros, de faltas graves, e, sobretudo, de demonstrações de fanatismo e idolatria aos médiuns.

            Quanto à questão de ter sido o Chico a reencarnação de Allan Kardec, está de parabéns o baiano Divaldo Franco ao declarar abertamente sua valiosa opinião, dizendo: “Não acredito nessa possibilidade”, como o próprio Chico também não acreditava. Só que, a meu ver, não abriu o verbo, como deveria ter feito, para impedir que continuem espalhando por aí esse grande absurdo!