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OS GRANDES INICIADOS

             Este é o título de uma grande obra, uma obra clássica, que os espíritas de hoje não conhecem, porque, em geral, só se preocupam em ler e divulgar as mensagens espirituais do padre jesuíta Manuel da Nóbrega e da freira Joanna de Angelis, no que estão no seu direito

incontestável, é claro.

            Vocês, prezados leitores, sabem quem foi Eduardo Schuré? Sabem quais são os “Grandes Iniciados”, cujas vidas ele descreve nessa sua famosa obra?

            Se não sabem, precisam saber e nós vamos ajudá-los nesse estudo, com a maior boa vontade.

            Édouard Schuré nasceu na Renânia, em janeiro de 1841, filho de alemães. Cedo ainda, aos cinco anos de idade perdeu a mãe, e, aos quatorze anos, perdeu também o pai, ficando desde então sob a tutela do avô materno, o prof. Bloechel, que lhe incutiu o gosto pela poesia, pela literatura, pela música, pela filosofia e pela história. Passou então a ler e estudar os grandes clássicos da Antiguidade, da Idade Média e dos Tempos Modernos. O poema “Fausto” de Goethe exerceu grande influência sobre ele.

            Escreveu várias obras de diversos gêneros literários, todas muito aplaudidas, mas a que, na verdade, lhe deu fama e imortalidade foi a que se intitula “Os Grandes Iniciados”, lançada em Paris, em primeira edição, em 1889, que foi traduzida em vários idiomas e vem sendo lida e estudada, com muito interesse, em todo o mundo.

            Édouard Schuré desencarnou em 7 de abril de 1929, consagrado como um grande pensador da Teologia, como nos informa seu biógrafo Mário Lobo Leal.

Meu querido e saudoso pai, Severino de Freitas Prestes Filho, tinha grande admiração por ele, cuja obra supracitada já conhecia antes mesmo de se tornar espírita. Foi ele quem me deu de presente de aniversário um exemplar de “Os Grandes Iniciados” – que venho lendo e consultando há anos, com muito prazer e alegria.
 

            Entre os Grandes Iniciados apontados por Édouard Schuré, aparecem: Ram, um sacerdote druida, Crisna Murty, Hermes, Moisés, Orfeu, Pitágoras, Platão e Jesus.

            Sim, Jesus, o Homem de Nazaré, foi reconhecido por Édouard Schuré, como um dos Grandes Iniciados. E é no cap. VIII do 2º vol. que ele fala sobre sua missão; como era o  mundo, quando Jesus nasceu; os primeiros tempos de Jesus ; Jesus entre os essênios; a vida pública de Jesus; a luta que manteve contra os fariseus; a ceia, o processo e a morte na cruz.

            Vamos ver, em síntese, o que ele diz a respeito.

            A missão de Jesus, na Terra, não foi abolir a Lei de Deus, ou os Dez Mandamentos, ditados a Moisés no monte Sinai, mas, ao contrário, dar-lhe cumprimento.

            Na época em que Jesus nasceu, o mundo antigo estava todo dominado pelos imperadores romanos, que se apresentavam como verdadeiros deuses. Mas, a palavra do profeta Isaías, anunciando a chegado do Salvador ou Messias, continuava prevalecendo entre os judeus.

            Jesus nasceu em Nazaré, cidade da Galiléia, filho de Maria, de família nobre, filiada aos Essênios e era casada com o carpinteiro José.

            Jesus foi um menino desde cedo consagrado a uma missão profética, por isso mesmo identificado como nazareno.

            Pequeno ainda, deixou-se impressionar bastante pelo sofrimento do povo, motivado pela desigualdade social, e, estando em retiro num monte da Galiléia, elevou seu pensamento a Deus e gritou: “- Pai celestial, quero saber, quero curar, quero salvar!”

            Entretanto, o que ele queria saber só podia aprender com os Essênios, seita que, no tempo de Jesus, era a última restante da confraria dos profetas, organizada por Samuel. E eles se refugiaram nas montanhas para se manterem bem distante do despotismo dos senhores da Palestina.

            Jesus passou vários anos com os Essênios. Submeteu-se à disciplina deles; estudou os segredos da natureza; exercitou-se na terapêutica oculta; dominou seus sentidos para desenvolver o Espírito. Todos os dias ele meditava nos destinos da humanidade.

Terminado o período de iniciação voltou para a Galiléia, a fim de cumprir sua missão de curar males físicos e morais. Tornou-se, portanto, um grande iniciado dos poderes ocultos, apresentando-se como o Messias anunciado pelos profetas judeus.

            Certa vez, quando passava à margem do rio Jordão, encontrou-se com João Batista que não era um essênio, mas, sim, um profeta popular da Judéia, que reconheceu em Jesus o Messias cuja chegada vivia anunciando ao povo.

            Por ter combatido a desigualdade de classes, o poder nas mãos dos ricos e poderosos, os preconceitos raciais e sociais; por ter criticado os doutores da lei, à frente dos quais estavam os fariseus e os saduceus; por ter pregado a paz e o amor ao próximo a um povo que se preparava para a guerra e via no aparecimento do Messias um chefe que o levaria à vitória contra os judeus e os romanos, o que, entretanto, não aconteceu; por ter combatido a ambição, o orgulho, a vaidade, o egoísmo; por tudo isso e muito mais, Jesus, o grande iniciado essênio, foi traído, preso, condenado e morto no monte calvário, como se fosse um criminoso vulgar.

NOSSO COMENTÁRIO

            É costume dizer-se que Jesus morreu para salvar o mundo, o que, entretanto, até hoje ainda não aconteceu. O mundo está cada vez mais perdido, envolto em guerras e revoluções.

            Por outro lado, Jesus, que foi um homem pobre, simples e humilde, tendo mesmo declarado a Pilatos que seu reino não era deste mundo, hoje, na Pátria Espiritual para onde todos vamos um dia, está vendo, triste e profundamente decepcionado, que, em seu nome, foi criado, por aqueles que se dizem seus adeptos e continuadores, um verdadeiro reino com capital em Roma, onde o soberano pontífice, defendido pela Guarda pretoriana suíça, se apresenta às multidões como um verdadeiro monarca.

            Só sai pelas ruas da antiga capital do Império romano, transformado na Idade Média em Império cristão católico, por obra de Constantino e do papa da época, em veículo brindado. E só viaja em avião de luxo, para visitar os países ditos “cristãos”, onde vivem seus súditos. Estes, ao verem-no passar, trajado ricamente e seguido por uma bela e vistosa comitiva, se ajoelham, como se estivessem diante do próprio deus e se desmancham em lágrimas e orações!...