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EPÍSTOLA DE ERASTO AOS ESPÍRITAS DE BORDÉUS.

 

                No banquete que foi oferecido ao Mestre lionês, em Bordéus, em 14 de outubro de 1861, depois de ter ouvido vários oradores, coube a vez de Allan Kardec falar, agradecendo as homenagens recebidas.

            No final do seu discurso, ele declarou: “- O Espírito de Erasto, que já conheceis, senhores, por suas notáveis dissertações, que já lestes, quer trazer-vos o tributo dos seus conselhos. Antes de minha partida de Paris, ele ditou, por seu médium habitual (Sr. d’Ambel) a comunicação seguinte, que vou ter a honra de vos ler”.

            Segundo Allan Kardec, esta foi a Primeira Epístola de Erasto dirigida aos espíritas de Bordéus. (Fonte: Revista Espirita, novembro de 1861, pág. 364 – Lançamento EDICEL Tradução de Júlio Abreu Filho).

            Em certo trecho dessa Epístola, Erasto diz: “- Não deveis ignorar que tudo farão para semear a divisão entre vós...” e, em seguida, acrescenta: “ – Tereis que lutar não só contra os orgulhosos, os egoístas, os materialistas, mas também, e, sobretudo, contra a turba de Espíritos enganadores...”

            Linhas adiante, ele explica que teve de falar assim tão duramente, “porque era necessário vos premunir contra um perigo que era meu dever assinalar...”

            E concluiu sua Epístola, declarando:  “- Em nome do Espírito de Verdade, que vos ama, eu vos abençôo, Espíritas de Bordéus”.

 NOSSO COMENTÁRIO 

                Os Espíritos, principalmente, os Espíritos superiores, quando na erraticidade, vêm, do Alto, melhor do que os homens. Erasto, portanto, estava vendo muito bem tudo que se passava aqui na Terra.

            E o que é que ele via?

            Quem nos responde é o ilustre Advogado de Bordéus, o Sr. J. B. Roustaing.

            “Em janeiro de 1861, eu já estava completamente restabelecido de uma enfermidade tão longa quão dolorosa. E, como sempre tive a vida presa à pesquisa da verdade, li O Livro dos Espíritos e nele encontrei uma moral pública e uma doutrina racional e consoladora, ou seja, a explicação lógica e transcendente da Lei divina.

            Li, em seguida O Livro dos Médiuns e nele encontrei uma explicação racional da possibilidade de comunicações do mundo corpóreo com o mundo espiritual.

            Tornei-me então espírita e é com muita honra que digo isto publicamente.

            Comecei assim a fazer sessões espíritas em casa e a evocar os Espíritos, em nome de Deus, os quais foram aparecendo graças à mediunidade de uma pessoa que tinha em minha companhia.

            Recebemos então o Espírito de João Batista, do meu pai, do Apóstolo Pedro e outros.

            Em dezembro tive a intuição de ir visitar a médium, Sra. Émillie Collignon. Fui lá duas vezes. Na segunda vez, ela caiu em transe e recebeu uma mensagem assinada pelos quatro Evangelistas, Mateus, Marcos, Lucas e João, assistidos pelos Apóstolos, que me declararam que eu tinha que lançar ao público essas comunicações com o título de Revelação da Revelação.

            Em maio de 1865 tudo já estava bem preparado para ir ao prelo, de modo que um ano depois, publiquei Os Quatro Evangelhos ou A Revelação da Revelação. (Fonte: Prefácio de Os Quatro Evangelhos e Revista Espírita de junho de 1861)

            E tudo isto foi feito à revelia de Allan Kardec, que Roustaing considerava “seu caro senhor e muito honrado chefe espírita”, como declarou, por carta, ao Missionário de Lyon.

 Sim, faço questão de repetir com letras bem grandes: TUDO FOI FEITO À REVELIA DO CODIFICADOR, que só veio a saber da obra de Roustaing, em maio de 1866, ao receber dele, que considerava seu amigo, um exemplar dessa obra em três volumes, intitulada “Revelação da Revelação”.

            Allan Kardec leu-a com muita atenção e com espírito crítico. E deu seu parecer que publicou na Revista Espirita. Bastante constrangido, por se tratar de um amigo, disse que achou boa a obra, mas viu nela muita coisa duvidosa, que precisava de melhor esclarecimento. Por isso não a considerava complementar às da Codificação Espírita. Aí é que estava o “perigo” do qual Erasto queria prevenir os espíritas. E tinha razão!