ofplogo.gif (4994 bytes)   


AINDA DIVALDO FRANCO

     Em entrevista ao “Mundo Espírita”, assim falou o grande tribuno baiano: “ – Vivemos um momento de ásperas transformações, e o Movimento Espírita vem tentando encontrar o melhor caminho em um povo como o nosso, com tradições místicas, herdadas dos nossos ancestrais. A visão religiosa da Doutrina colocou-se como prioritária, por atender mais de imediato os grandes sofrimentos morais, econômicos, sociais, emocionais, que vergastam a nossa sociedade.

     “Uma visão de um Espiritismo sob o ângulo científico é muito válida para aqueles indivíduos que têm uma formação acadêmica e que se possam dedicar a experiências que confirmem todos os fatos que desde Allan Kardec já foram constatados. O que me parece deveria prevalecer, ao invés da ritualística que, lentamente, vai sendo introduzida e aceita por desconhecimento da Doutrina, é que se levasse em consideração a proposta filosófica de uma visão ampla, de uma observação cuidadosa dos fatos da vida e de como o Espiritismo os explica e os orienta, ensejando, deste modo, um comportamento ético-moral saudável, no qual a conseqüência religiosa é inevitável, mas não as fórmulas que caracterizam as religiões, apresentando-se como seitas que já estão totalmente superadas.

      “Esta preocupação é muito válida, porquanto periodicamente surgem indivíduos em torno dos quais formam-se grupos, indivíduos portadores de mediunidade, que, não poucas vezes, tornam-se líderes esquisitos e esdrúxulos, com comportamentos alienados, procurando apresentar propostas de exaltação do seu ego e gerando à sua volta uma mística, que, infelizmente, vem desaguando em determinadas posturas incompatíveis com o Espiritismo, como o casamento religioso espírita, etc...

       “Estudar Allan Kardec (...) é o grande desafio para todos nós, espíritas, que desejamos ser fiéis à própria Doutrina (...) Esta tem sido a conduta do Movimento Espírita paranaense, que se tem mantido fiel à Codificação (...)” (Grifos nossos)

      Concluindo sua exposição sobre o Movimento Espírita, disse o grande orador: “ – Preservar, portanto, o trabalho de divulgação doutrinária, corretamente, sem os infelizes desvios que se observam em alguns setores do nosso Movimento, é dever que nos impomos, aqueles que prometemos fidelidade ao Espiritismo.”.

NOSSO COMENTÁRIO:

       Isto que aí está foi transcrito de “Mundo Espírita”, jornal fundado em 1932 por Henrique Andrade, anti-roustainguista, mas hoje a serviço de uma Federativa, que, como as demais, aceita, tolera e se curva diante do desvio doutrinário que é o roustainguismo, que Allan Kardec combateu em “A Gênese” de 1868.

       Em seu pronunciamento sobre o Espiritismo no Brasil, vê-se que Divaldo, como muitos, acha também que existem muitos “desvios doutrinários”, devido, principalmente à falta de leitura e de estudo das obras básicas da Codificação. Por isso mesmo é que o nosso movimento caminha, demonstrando grande infidelidade. E ele sabe muito bem o que diz, pois, vive fazendo viagens  pelo nosso território.

      Entretanto, uma coisa que observei bem é que ele, em seu pronunciamento, se cala, completamente, diante do roustainguismo que domina a nossa maior instituição que é a Federação Espírita Brasileira. Sim, porque ela, a FEB, desde sua fundação, vem servindo com muita dedicação a dois senhores ao mesmo tempo, ou seja, Kardec e Roustaing. E de tal forma o roustainguismo ali predomina que somente quem é roustainguista pode exercer o cargo de presidente, o que considero inteiramente errado.

      E depois, contrariando o pensamento do Missionário Allan Kardec, o Estatuto da F.E.B. em seu artigo primeiro, diz claramente que “Os Quatro Evangelhos” livro que leva o nome de J.B. Roustaing, tem que ser lido, estudado e divulgado por ser uma obra complementar às da Codificação. E isto não é verdade, porque o próprio Mestre de Lyon nunca a admitiu como tal, pois ele declarou claramente: “... as explicações contidas em Os Quatro Evangelhos não podem ser consideradas como partes integrantes da doutrina espírita”.  (Ver “Revista Espírita” de junho de 1866 – Edicel – pág. 189).

      Elogiando, como o fez, o movimento espírita paranaense, é claro que Divaldo elogia também a Federação Espírita do Paraná, que ele sabe que faz parte integrante do Conselho Federativo Nacional, que é, estatutariamente, um Departamento importante da Federação Espírita (Roustainguista) Brasileira. Por isso mesmo é que ali, no Paraná, como em todos os Estados da Federação, as instituições conhecidas como “Federativas” vivem num “Mundo Espírita” do faz de conta. É por isso que, nos Congressos Espíritas, vive-se dizendo: - Lá, em meu Estado, tudo vai às mil maravilhas! Não admitimos desvios doutrinários! Somos fiéis e leais a Allan Kardec, somente a Allan Kardec! Mas também, humildemente,  toleramos e até admiramos  J. B. Roustaing. Por que? porque, como Ismael Gomes Braga, achamos que “o roustainguismo é um curso superior de espiritismo”, como ele declarou em seu livro “Elos Doutrinários”. E nós, que freqüentamos a Universidade Federal Espírita de Brasília, - leia-se F.E.B - participando das reuniões periódicas promovidas pelo seu Conselho Federativo Nacional, almejamos obter um dia o Diploma de novos Doutores da Lei que só o bastonário de Bordéus, - leia-se J.B. Roustaing -, representado no Brasil pelo Magnífico Reitor João Nestor Mazotti pode nos conferir em sessão solene.

      “ E, quando chegar esse dia, temos certeza absoluta de que  não só Divaldo Franco como todos esses grandes modernos catedráticos do Espiritismo estarão presentes!...