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III CONGRESSO ROUSTAING

                 O jornal “O CRISTÃO ESPÍRITA”, edição relativa aos meses de abril, maio e junho de 2007 – Ano XLI – Nº 158, foi todo ele dedicado ao III CONGRESSO ROUSTAING  promovido pela Casa de Recuperação e Benefícios “Bezerra de Menezes”, que funciona na Rua Bambina nº 128, Botafogo, Rio de Janeiro/RJ.

                 Foi realizado nos dias 16 e 17 de junho de 2007, no Centro de Convenções do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, em cujo auditório “A” foram realizadas as sessões de abertura e encerramento, no seguinte horário: das 8 às 20 horas. Cerca de quatrocentas pessoas se inscreveram e compareceram, superlotando o auditório.

                 No dia 16, coube ao Sr. Azamor Serrão Filho, presidente da instituição patrocinadora do evento, abrir os trabalhos e dar posse ao presidente do Congresso, Sr. Almir Gomes de Souza, a quem coube pronunciar a palestra com que deu por iniciado o evento.

                Para a prece inicial de abertura,  foi convidado o Sr. Afonso Soares, representante da Federação Espírita (Roustainguista) Brasileira e redator do órgão oficial da chamada “Casa Mater” – “O REFORMADOR” - , que, sentindo-se muito honrado, aceitou o convite, pronunciando uma prece muito sentida, intensa, brilhante, comovente. “Ao falar, parecia resumir e, ao mesmo tempo, acentuar, com suas palavras, toda a vibração e toda a harmonia que reinavam no salão de conferências do Centro de Convenções do CBC”.

                 Em seguida, foi dada a palavra ao médium e escritor Ariston Santana Teles, que dissertou sobre o tema geral do Congresso “De volta ao Cristianismo do Cristo”. Disse, euforicamente: “- A obra ‘Os Quatro Evangelhos’, de João Batista Roustaing, traz de volta a palavra do Cristo, diretamente da Galiléia distante (...) Precisamos saber ouvi-la. É o Consolador Prometido  que aí está, lembrando e explicando, palavra por palavra, tudo o que nos disse o Cristo, em seu corpo fluídico, completando em sua plenitude o trabalho de resgate dos textos evangélicos (...) iniciado pelo Codificador em ‘O Evangelho Segundo o Espiritismo’ e em toda a  Codificação”.

                 Falou também o Sr. Gilberto Perez, que explicou, claramente, aos presentes que “o corpo de que Jesus se serviu, para manifestar-se em nosso planeta foi uma materialização ectoplasmática perfeita e de longo curso”, ou seja, um “corpo fluídico” e não de carne e osso como o nosso. Portanto, temos de ver Jesus também como um modelo biológico, e não apenas moral, como declarou Kardec na nota explicativa da questão nº 625 de “O Livro dos Espíritos”.

                 O Sr. Gimenez Peres, ao encerrar sua dissertação, foi muito aplaudido e o consenso geral entre os presentes é que  sua palestra foi um dos melhores estudos já feitos sobre a questão do Corpo Fluídico de Jesus.   

 .               Houve também, nesse Congresso um seminário em torno do tema “Kardec e Roustaing à luz da Ciência e da Razão”.

                 Foi então que o Sr. Jorge Damas Martins, orador e escritor roustainguista, inicialmente, provou, baseado nas Escrituras Sagradas, que a Virgem Maria foi mesmo Mãe de Jesus, concebido não por seu pai carnal, José, e sim pelo Espírito Santo. Por isso Jesus (Corpo Fluídico) foi a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

                Após o encerramento do Seminário, um coral da casa patrocinadora do evento, apresentou-se, cantando a "Ave-Maria”, numa versão nova, ditada pelo Espírito de Bezerra de Menezes. Ao mesmo tempo foi entregue aos participantes do Congresso uma obra de autoria de Emillie Collignon, a célebre médium que recebeu as mensagens ditadas pelos Evangelista, que foram reunidas em livro por J; B. Roustaing e publicadas em 1866 com o titulo de “Os Quatro Evangelhos”.

                 Após a apresentação do Coral, um dos oradores escalados, “Sr. Júlio, dedicou-se a demonstrar, da forma mais clara e suscinta possível, a relação de continuidade e de complementariedade(sic) existente entre “O Evangelho segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec e “Os Quatro Evangelhos”, de Roustaing. E Júlio surpreendeu a todos, em seu estudo comparativo, pois falou de tal forma que, no final não se conseguia mais distinguir o que era de Kardec ou de Roustaing, tamanha a semelhança verificada nos textos destas duas “jóias” da literatura espirita”.              

                No Domingo, dia 17, houve uma verdadeira “maratona” de palestras. Após a prece de abertura dos trabalhos, feita pelo Coordenador da Mocidade da Casa patrocinadora, Rodrigo Costa, usou da palavra o Sr. Maurício Neiva Crispim, de Brasília, que abordou o tema “A Lei de Deus segundo Roustaing”. Enfocou a evolução humana, fazendo um estudo paralelo entre “Os Quatro Evangelhos” de Roustaing e a Gênese Mosaica, mostrando, passo a passo, as etapas mais relevantes da nossa trajetória evolutiva.

                Fazendo referência à questão 621 de “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, pela qual os Espíritos superiores da Equipe do Espírito de Verdade, disseram “A lei de Deus está escrita na consciência do homem”, o Sr. Maurício Crispim declarou, enfaticamente: “Temos as leis de Deus em nossa consciência, mas precisamos observá-las de fato, para que nossas vidas melhorem...”

                 Após a palestra do Sr. Crispim, o Sr. Azamor Filho, depois do intervalo do café, coordenou a mesa redonda, durante a qual as pessoas presentes puderam fazer perguntas aos palestrantes, dos quais recebiam as respostas desejadas.

                Em seguida um pequeno coro de crianças do Curso de Evangelização Infantil, adentrou o salão, cantando a música “Vovô Bezerra querido” e depois outra, intitulada “Quanta Luz!”, acompanhadas ao violão pelo Sr. Leonardo Gouveia. No final, foram muito aplaudidos pelo público presente.       

Coube ao Sr. Luiz Carlos de Carvalho,  próximo presidente do IV CONGRESSO ROUSTAING, a realizar-se em Volta Redonda/RJ, fazer a prece de encerramento. (“O CRISTÃO ESPÍRITA” do RJ/RJ, de abril, maio e junho de 2007).

 NOSSO COMENTÁRIO

Lendo-se o que foi transcrito no jornal “O CRISTÃO ESPÍRITA”, ficou bem claro que: (a) há um  binômio,  que os congressos roustainguistas “pouco a pouco divulgam por todo o país”, binômio esse constituído de dois nomes próprios: Kardec e Roustaing, o que não é verdade, porque, como disse muito bem Herculano Pires: “Roustaing é um decalque de Kardec, mas no sentido caricato, pois, sua doutrina é uma caricatura da doutrina espírita; sim, Roustaing copia e desfigura Kardec”. Não há, pois, binômio nenhum; (b) Por isso mesmo a FEB, que, desde sua origem, sempre foi e continua sendo roustainguista, com a conivência das chamadas “Federativas”, tinha o dever de se fazer presente nesse III Congresso Roustaing. Daí ter enviado,  como seu representante, o Sr. Afonso Soares, tradutor para o Esperanto da “Introdução” de  “Os Quatro Evangelhos” de Roustaing e redator de “O Reformador”, órgão oficial da chamada “Casa Mater”. E ele não ficou ali, na mesa da presidência, como uma figura decorativa, pois “aceitou  fazer a prece de abertura dos trabalhos e o fez com muito sentimento e vibração”. Eu soube, aliás, que também compareceram os srs. Juvanir Borges de Souza, ex-Presidente da FEB e também redator do “Reformador” e Zêus Wantuil, filho de Wantuil de Freitas e também um dos dirigentes febeanos. Soube ainda que o CFN - Conselho Federativo Nacional da FEB, também roustainguista, não designou um representante próprio porque já se viu representado pela pessoa do Sr. Afonso Soares, oficialmente designado pelo atual Presidente da FEB roustainguista, Sr. Nestor Mazotti, que também preside o CFN   (c) Por sua vez  o médium  Ariston Santana Teles, roustainguista fanático,  “manteve a tradição” dos congressos anteriores, em que se referiu a  Ubaldi e Roustaing, discorrendo sobre o tema geral do Congresso,  ‘De volta ao Cristianismo do Cristo’. E em sua falação, declarou que “a obra  Os Quatro Evangelhos, de Roustaing  é que nos deu o Consolador prometido por Jesus por trazer de volta a palavra do Cristo”, o que  não é verdade, pois,  lendo-se o cap. VI de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, vê-se que “O Espiritismo veio, na época predita, cumprir a promessa do Cristo, pois, presidiu ao seu advento o Espírito de Verdade, o Consolador prometido”; (d) O Sr. Gilberto Perez  confirmou que o corpo de Jesus era fluídico, o que Allan Kardec não aceitou e, em seu último livro “A GÊNESE”, cap. XV, deixou bem claro que Jesus foi também um homem de carne e osso, como nós;  (e)  O  Sr. Jorge Damas Martins, baseando-se nas Escrituras, explicou que isto (o corpo fluídico de Jesus) só foi possível porque Maria, casada com José, entregou-se ao Espírito Santo e copulou com ele, o que deu motivo à concepção  do seu filho primogênito, Jesus, que não era homem de carne e osso e sim um agênere, contrariando assim Kardec que, em “A GENESE”, deixou bem claro que Jesus, como homem que era, foi também concebido no útero de Maria, em decorrência da união carnal dela com  José, seu marido. Ambos cumpriram assim a Lei Divina  “crescei e multiplicai-vos”; (f) para Roustaing, a gravidez e o parto de Maria foram aparentes, negando assim Kardec que disse  que foram  normais, como os de qualquer mulher: Maria foi desvirginada por seu marido José; por nove meses carregou o feto ou embrião no ventre; na hora de dar à luz, sentiu as contrações e as dores do parto; e, finalmente, deixou que nascesse seu filho primogênito, Jesus; (g) ao contrário do que afirmaram os oradores roustainguistas,  não há nenhuma relação de continuidade, de complementaridade entre as duas doutrinas: a verdadeira, -  kardecista -, e a falsa, - roustainguista -; entre “O Evangelho segundo o Espiritismo” de Kardec e “Os Quatro Evangelhos” de Roustaing.  Donde se conclui que era  falsa e mentirosa a legenda que os coordenadores desse III Congresso Roustaing estamparam com letras garrafais, na frente da mesa diretora.    (Ver pág.  3 de “O CRISTÃO ESPÍRITA); (h) O Codificador deixou isto bem claro, no artigo que publicou na Revista Espírita de junho de 1866, quando disse: “... nós nos limitamos às máximas morais que ressaltam das parábolas de Jesus, as quais, são claras, não poderiam ser interpretadas de diversas maneiras; jamais deram causa a controvérsias religiosas. Por esta razão é que por aí foi que começamos, esperando, quanto ao resto, que a opinião  geral estivesse mais familiarizada com a idéia espírita. Já o autor de ‘Os Quatro Evangelhos’ julgou dever seguir um outro caminho (...) Por isso as explicações dadas por ele, Roustaing, não poderiam ser consideradas como partes integrantes da doutrina espírita” (R.E. editora EDICEL, pág. 189) ...

Devo deixar bem claro que eu, apesar de ter recebido um convite para comparecer a esse III CONGRESSO ROUSTAING, que me foi enviado pelo Sr. Jorge Damas Martins, que não conheço, mas com quem mantive uma pequena polêmica, não compareci.  Fiz mesmo questão de não comparecer e quem afirmar que me viu lá, estará mentindo, vergonhosamente.

Fiel à memória de meu querido e saudoso pai e mestre, Severino de Freitas Prestes Filho, com quem, aos 13 anos, aprendi que roustainguismo não é kardecismo, jamais eu poderia fazer o que fizeram os representantes febeanos, que se dizem kardecistas: comparecer a esse III Congresso Roustaing. Também   não compareci aos que se realizaram antes, em Brasília e em Goiânia, nem comparecerei aos que vierem a ser realizados no futuro. Estou somente com Kardec, com o Espírito de Erasto, “Guia bem amado de meu pai” e com meu querido e saudoso genitor e mestre, Severino de Freitas Prestes Filho.

Aliás, faço questão de citar aqui um fato ocorrido em 1939: meu pai ficou furioso quando, ao ler o livro “Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho”, ditado pelo Espírito de Humberto de Campos,  psicografado por Chico Xavier, com prefácio de Emmanuel, e publicado pela Editora da FEB no ano anterior (1938) fiou sabendo que “Roustaing foi auxiliar de Kardec e encarregado de organizar o trabalho da fé” (Ver pág. 176 da 11ª edição da FEB).

                 E digo mais,  na verdade, este foi um dos motivos que fizeram meu pai passar a ver o médium de Uberaba, que teimam em dizer que foi a reencarnação de Kardec, com muita desconfiança e ler os livros por ele psicografados, com muito espírito crítico.