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CHICO XAVIER E A IGREJA CATÓLICA

     

                Voltemos agora, mais uma vez, ao que disse o jornalista Marcel Souto Maior na biografia do Chico que se tornou “best seller”.

                “O rapaz, (Chico Xavier) era esquisito mesmo. Comungava, confessava, ia à missa, acompanhava procissões (...) Em 7 de maio de 1927 (ao iniciar seu mediunato com 17 anos), voltou à igreja para se despedir do padre Scarzello, ajoelhou-se, beijou-lhe a mão,  pediu-lhe a bênção e saiu, seguido pelo olhar do sacerdote, seu confessor, que pedia para ele a bênção da Mãe Santíssima, (a Virgem Maria)”. (“As Vidas de Chico Xavier”, págs. 30 e 3l).

                “Em julho, eles, Chico e dona Carmem, rezavam, quando apareceu Emmanuel, amigo espiritual de Chico, com ar imponente, vestes sacerdotais e aura brilhante”. (idem, pág. 32).

                As mensagens que Chico recebia em forma de versos tanto eram elogiadas como criticadas. “Um padre de Belo Horizonte”, - contou seu biógrafo – “fez um discurso inflamado contra o Espiritismo e encerrou o sermão, mandando Chico para o inferno, deixando-o bastante impressionado...” (idem, pág. 36) “Chico já estava cansado. Trabalhava, lutava no centro, fazia caridade, escrevia quase por impulsão e continuava desacreditado. Ele reclamava dos incrédulos, queixava-se dos comentários envenenados e se entregava à reza.” (pág. 37)

                O padre Sinfrônio da Igreja de N. S. da Conceição não gostava de ver aquele movimento de pessoas que recorriam ao C.E. Luiz Gonzaga à procura do Chico. Ficava morto de inveja. “Ficou tão irritado  com o Espiritismo, com o Dr. Bezerra, com as curas e textos do além”, - escreveu Souto Maior -, “que instalou na torre da igreja, em frente ao sino, um potente alto-falante. Entre uma badalada e outra o sacerdote convocava a população para a missa, rezava a Ave-maria, criticava a idéia da reencarnação. (...) Com sutileza e inteligência, Sinfrônio conseguiu convencer muitas beatas do quanto o espiritismo era arriscado...

                “Chico nunca tentou argumentar com o padre. Ignorava qualquer provocação, fugia de confrontos. (Grifo nosso) Quando cruzava com o ‘rival’, no meio da rua, tirava o chapéu e o cumprimentava  respeitoso. Muita gente ficava irritado com sua passividade. Ele se defendia das acusações de ser omisso, comparando o ato de polemizar ao de remexer uma tina de água, ‘um serviço vão que cansa os braços inutilmente.

                “Nunca atacaria o Catolicismo (...) Pelo contrário. Faria questão de defender a Igreja Católica como fundamental ao país. Por mais de quatrocentos anos, nós fomos e somos tutelados por ela, na formação do nosso caráter cristão. (...) O catolicismo era útil para o espiritismo. Multidões de católicos desembarcavam no C. E. Luiz Gonzaga todas as semanas.

                “Chico confidenciaria a um amigo qual era sua estratégia: - A Igreja Católica precisa sobreviver...” (op.cit pág. 112)  (Grifos nossos) E, por certo, sobreviverá, como afirmou Roustaing, pois “debaixo da influência e da direção do Regenerador, caminhará seu chefe, fazendo com que ela se torne católica na legítima acepção deste termo, tornando-se universal, como sendo  a Igreja do Cristo.” (Roustaing, op. cit. vol. 3, pág. 66 da 5a. Edição – FEB – 1971)

                Creio que fica assim, claramente, explicado por que motivo Chico Xavier, ao psicografar o célebre “Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho” concordou com o autor espiritual, Humberto de Campos, quando este fê-lo transcrever que Roustaing, por decisão tomada numa “Assembléia espiritual presidida pelo coração misericordioso e augusto do Cordeiro de Deus (o Jesus agênere) foi designado, particularmente, para coadjuvar Allan Kardec, no seu esforço de síntese, ficando encarregado de organizar o trabalho da fé...” (pág. 176), declaração esta que contou com o aval de Emmanuel, que prefaciou a obra, da FEB, que a publicou, do Conselho Federativo Nacional da FEB e da comunidade espírita que vivem estudando-a e divulgando-a, sem permitir que nos centros espíritas, nos simpósios, seminários e congressos, ela seja criticada e contestada pelos oposicionistas do sistema administrativo criado com o aparecimento da chamada “Casa Mater”, em janeiro de 1884. É que a célebre “Congregação do Index”, que, por muito tempo, funcionou na velha Europa, passou a funcionar aqui na “Pátria do Evangelho”,com a volta, em Espírito, do Provincial da Companhia de Jesus, o padre Nóbrega.

                Devo deixar bem claro que meu querido e saudoso pai, Severino de Freitas Prestes Filho, jamais concordou com isto que se encontra em “Os Quatro Evangelhos” de Roustaing e no “Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho”. E isto ele deixou bem claro em nossas conversas familiares, como também deixou registrado em sua autobiografia, que levou anos escrevendo, por determinação dos Protetores Espirituais, entre os quais se destacou o Espírito de Erasto, seu “Guia bem amado”

                Um dia, num futuro bem próximo, suas “Memórias” virão a público, tenho certeza, quando, por força do progresso, deixar de existir também essa Congregação do Index, instalada por obra e graça dos modernos jesuítas encarnados e desencarnados.

                Aguardemos com otimismo e, sobretudo, com muita fé em Deus e no Espírito de Verdade,  esse dia de libertação cultural, espiritual e doutrinária, que está em vias de chegar para gáudio da humanidade.

De minha parte, enquanto isto não acontecer, continuarei na linha de frente como um verdadeiro paladino, fazendo com meu boletim mensal o que o grande Erasto, em sua “Instrução” aos espíritas dada em Paris, em 1862 mandou que fizéssemos, ao afirmar: “É contra esses impostores que devemos estar em guarda  correndo a todo homem honesto o dever de os desmascarar.”

(Allan Kardec, em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, cap. XXI, nº 9)