ofplogo.gif (4994 bytes)   


O ESPIRITISMO CATÓLICO E O FEIXE DE VARAS DA UNIFICAÇÃO      

 

                Este artigo, de autoria de Saulo Rocha, publicado na gazeta “PENSADOR”, pág; 4, edição de abril último, também está muito bom. Por isso  resolvemos transcrevê-lo na íntegra:

                “Não se engane com a política doutrinária e de unificação disseminada pela Federação Espírita Brasileira (FEB) e suas adesas estaduais. É uma política de cabresto vigorosa e temerária.

                Ela está explícita em todas as mensagens mediúnicas psicografadas e verbalizadas por médiuns a serviço do anjo Ismael, orientador maior de tudo que se pensa fazer em nome do Espiritismo tupiniquim. São esses médiuns que sempre atendem ‘o telefone de lá para cá’, assumindo uma postura de ‘escolhidos’ e ‘veneráveis’, inibindo qualquer iniciativa questionadora acerca do conteúdo das mensagens recebidas e da natureza moral do espírito comunicante.

                O Espiritismo que conhecemos, estudamos e vivenciamos com Kardec, está condenado a desaparecer nos próximos 50 anos. Não é exagero, não. Basta ver o que estão fazendo com os seus aspectos científico, filosófico e moral, com o pensamento ético daquele que o codificou  com extremada dedicação.

                A mesma coisa que a Igreja Católica Apostólica Romana vem fazendo com homens e mulheres inquietos com seus dogmas e insubmissos diante do oásis de sua Teologia da Salvação.

                Na política de unificação encampada pela FEB é ‘estranho no ninho’ quem pensa e faz o que a Casa Mater não recomenda. Ou seja, fora dela não há salvação para o espírita insubmisso e questionador.

O silêncio é uma prece; o mal não merece comentário algum, unidos seremos como um feixe de varas...

Essas e outras pérolas doutrinárias são, comumente, lembradas dentro das Federativas e das Casas Espíritas, quando alguém ou algum grupo manifesta intenção de saber mais do que deve.

E a (“pérola”) que mais encanta o espírita catolicolizado (grifo do autor) é essa que explica a diferença entre uma vara e um feixe de varas. Dizem que (essa pérola) é do Espírito de Bezerra de Menezes. Não acreditamos nisso. Se Bezerra de Menezes já é um Espírito de elevada consciência moral, merecedor de conviver em planos superiores ao nosso, por que haveria de se preocupar em manter os políticos espíritas (em sua maioria, orgulhosos e hipócritas), unidos como um “feixe de varas”? Logo ele que teve que “comer o pão que o diabo amassou” para não ver a Casa Máter dividida e sem direção por conta de dissidências político-doutrinárias, em pleno século 19 !

Bom, como disse um respeitado articulista desta gazeta: ‘Quem fala a verdade está arriscado a cair no calabouço da indiscrição’. Calemos então por hoje...”

                          Assinado:   Saulo Rocha

NOSSO COMENTÁRIO

                Receba nossos sinceros parabéns, ilustre confrade, Saulo Rocha, colaborador da gazeta “PENSADOR” de João Pessoa. Seu artigo está excelente. Aliás, devo dizer-lhe que seu pensamento sobre esse “Espiritismo tupiniquim”, a que se refere, coincide, perfeitamente, com o de meu querido e saudoso pai, Severino de Freitas Prestes Filho, como ele sempre deixou bem claro nas sessões de estudo doutrinário que fazíamos em casa e nas conversas familiares que sempre tínhamos na sala e na varanda.

 Devo esclarecer-lhe, porém, dois pontos importantes com relação a Ismael e a Bezerra de Menezes. Os Espíritos de ambos faziam parte do grupo de entidades de escol que, juntamente com Erasto, deram assistência e orientação a meu pai, desde sua conversão ao Espiritismo, conforme Severino Prestes Filho, meu pai, deixou escrito em suas “Memórias” ainda inéditas. Ismael, ao contrário do que afirmam os roustainguistas e seus simpatizantes, não foi esse tal ‘anjo’, protetor de uma casa que, dentro da FEB leva seu nome e que foi responsável pelo igrejismo que tomou conta do movimento espírita. Foi, sim, um Espírito superior de grande envergadura moral, ao qual meu pai se referia com muito respeito e admiração nas preces de abertura e encerramento das sessões de estudo doutrinário que fazíamos em casa. Por sua vez, Adolfo Bezerra de Menezes, conhecido no séc. XIX como o “médico dos pobres”, ao desencarnar em 1900 foi, lá em cima, na Pátria Espiritual, recebido pelo Espírito de Erasto, que o fez ver que estava completamente enganado, quando em sua trajetória pelo plano físico, levado pelo religiosismo em que fôra criado numa família muito católica, aceitou e passou a divulgar os erros contidos na obra “Os Quatro Evangelhos” de Roustaing. Foi isto que ele, muitas vezes, disse a meu pai, quando, a partir de 1924, por determinação de Erasto, passou a integrar a equipe espiritual que acompanhou Severino Prestes Filho, meu pai, em sua atividade como médium curador. Daí o respeito e admiração que meu pai sempre teve por ele, tendo, inclusive, em maio de 1935, registrado um de meus irmãos com o nome de Adolfo, em homenagem a Bezerra de Menezes. Compreende-se assim, perfeitamente, porque motivo certa vez ele, Bezerra, se manifestou, declarando: “Kardequizar é a legenda de agora”, que os roustainguistas não aceitam, embora, hipocritamente, demonstrem o contrário.

Quanto ao aspecto científico do Espiritismo, que o amigo focaliza em seu brilhante artigo, inserido na coluna “Ponto Crítico” da gazeta “PENSADOR”, acho também que tem sido desprezado pelos dirigentes de centros e grupos espíritas. Eles, pelo menos uma vez por semana, estudam “O LIVRO DOS MÉDIUNS”, que Kardec classificou como um “guia dos evocadores”. Mas, influenciados pelo Espírito do Padre Manuel da Nóbrega (Emmanuel), e, principalmente, não confiando na ação dos Espíritos protetores de suas casas espíritas, que são incapazes de afastar do recinto algum espírito mistificador, que se apresentasse como sendo o de Allan Kardec, não evocam seu Espírito, certos que estão de que só viria um falso Codificador e não o verdadeiro. Por isso se prendem ao absurdo da afirmação de que “o telefone só toca de lá para cá”, ou seja, as mensagens espirituais de grande valor só são captadas por médiuns “escolhidos”, como o amigo disse muito bem. Mas, na verdade, nunca foi esse o pensamento de Allan Kardec, que considerava “um erro” (“une erreur”, no original) não se evocar os Espíritos” e ficar só na expectativa de comunicações espontâneas. (Livro dos Médiuns, cap. XXV, nº 269)

                Assim o nosso movimento vai andando ao “deus dará”, de mal a pior, com médiuns obsedados, fazendo as afirmações mais absurdas. Esquecem, propositadamente, que a evocação é o instrumento científico mais preciso de pesquisa espírita para se elucidarem questões duvidosas e polêmicas e para o esclarecimento da verdade.