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OBSERVAÇÃO IMPORTANTE

     Na Revista Espírita de junho de 1861 – Sessão “Correspondência” -  há uma carta de J. B. Roustaing dirigida a Kardec, em que começa, chamando-o de “Meu caro senhor” e tratando-o de “muito honrado chefe Espírita” e termina. Ao encerrar a carta, diz: “Adeus, meu caro senhor” e apresenta a seguinte justificativa: “Eu me proporia a fazer uma viagem a Paris, para Ter o prazer de vos conhecer, pessoalmente, e de, fraternalmente, vos apertar a mão. Mas, minha saúde a isto se opõe no momento” (Coleção EDICEL, ps. 179 a 180).

     Como se vê, era um amigo dirigindo-se a um amigo.

     Nessa mesma carta, ele diz: “Quando vos escrevi em março último, pela primeira vez...”

     Portanto, foram duas as cartas que dirigiu a Kardec, no primeiro semestre de 1861. E nesta primeira deve ter tratado Kardec com a mesma deferência: “Meu caro senhor” e “honrado chefe Espírita”.

     Agia como amigo e subalterno desejoso de conhecer, pessoalmente, seu superior hierárquico.

     Ao recuperar-se do esgotamento que o tinha acamado, gravemente, Roustaing, tendo se convertido ao Espiritismo, após ler os dois primeiros livros básicos de Kardec, passou a sair de casa e a frequentar as sessões realizadas na residência do Sr. Sabo. Entretanto, ao contrário dos demais confrades de Bordéus, não foi à estação ferroviária, dar as boas vindas ao seu “caro senhor” e “honrado chefe”, nem participou da reunião geral, realizada em 14 de outubro, em que Kardec esteve presente na inauguração da Sociedade Bordelesa de Estudos Espíritas. Ressalte-se que, entre os oradores que saudaram Kardec, um deles foi Dr. Bouchê de Vitray, que, em seu discurso, fez referência a Roustaing, a quem devia sua iniciação no Espiritismo.

     Roustaing também não participou do banquete que foi oferecido a Kardec.

     É possível que Kardec tenha sentido a ausência do Dr. Roustaing, ilustre advogado de Bordéus, mas não extravasou sua decepção. E continuou vendo em Roustaing um amigo. Por isso mesmo deve ter ficado bastante constrangido, ao redigir seu parecer sobre a obra “Os Quatro Evangelhos” de Roustaing, que recebeu em meados de 1866.

      É claro que, como amigo, julgou-o “considerável” e que tinha “o mérito de não estar, em nenhum ponto, com contradição com a doutrina espírita”. Disse mesmo que “encerra coisas incontestavelmente boas e verdadeira, e, por isso mesmo, será consultada com fruto pelos Espíritas sérios”.

Um amigo sincero agiria desta forma, como agiu Kardec.

     Mas, como verdadeiro amigo é aquele que mostra também os defeitos, os erros, Kardec, em seu julgamento, fez também críticas ao trabalho de Roustaing. Por exemplo: disse que Roustaing “preferiu seguir um outro caminho que não era o mais certo, com o objetivo de atingir de um salto o fim que deveria alcançar, se tivesse sido sensato. Outro exemplo: Kardec considerou o que foi dito em Os Quatro Evangelhos como opiniões pessoais dos Espíritos que as formularam. Por isso mesmo precisavam ter a sanção do controle universal. Por conseguinte, até mais ampla confirmação, não poderiam ser consideradas como partes integrantes da doutrina espírita. Outro exemplo: Kardec achou que a expressão “aparência” usada por Roustaing estava “excessivamente repetida no curso da obra”. Outro exemplo: Kardec achou que havia coisas boas na obra, mas, havia também, ao lado dessas coisas boas, outras “duvidosas”. Outro exemplo: Kardec achou que certas partes da obra foram desenvolvidas muito extensamente, sem proveito para a clareza. Outro exemplo: Kardec achou que os fatos da vida de Jesus, apontados por Roustaing poderiam ser perfeitamente explicados sem precisar sair das condições da humanidade corporal.   

     Kardec deixou bem claro que poderia tratar também dos fatos relativos à vida de Jesus. Mas só o faria depois de ter recolhido documentos muito numerosos nos ensinos dados de todos os lados pelos Espíritos, a fim de poder falar afirmativamente e ter a certeza de estar de acordo com a maioria. É assim que temos feito”.

     E foi, na verdade, o que ele fez, escrevendo e publicando, em 1868, seu último livro, “A GÊNESE”,

sob a assistência dos Espíritos superiores da gloriosa Falange do Espírito de Verdade. E quem o ler, terá a certeza absoluta de que ele nunca foi um roustainguista, como afirma o Sr. Luciano dos Anjos em seu livro “Os Adeptos de Roustaing”, pág. 30 (1ª Edição AEEV, de 1993).