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O QUE PENSA CARLOS BACCELLI DE CHICO E KARDEC

 

A gazeta “PENSADOR”, ainda na edição de abril p.p., reproduzindo no alto da pág. 8 (à esquerda), uma foto de Carlos Baccelli, sorridente, feliz da vida, por ter dito em livro que “Chico foi a reencarnação de Allan Kardec”, enfatiza o que esse médium de  Uberaba/MG declarou em entrevista à imprensa, ao afirmar: “Chico atualizou Kardec e o nivelou às modernas conquistas da Ciência. Há um movimento crítico às obras de Chico – movimento sutil de pseudo-intelectuais, que só sabem falar em Kardec. Ora, com o devido respeito, sem a continuidade dada pr Chico, Kardec seria coisa de um século e meio atrás... Kardec, no Espiritismo, é o Velho Testamento. Chico é o Novo...!”

NOSSO COMENTÁRIO

                Com todo o respeito por esse mineiro presunçoso que, por certo se considera um gênio, um sábio, um ilustre pensador, um grande intelectual, ao contrário de mim, de Jorge Rizzini, de Dora Incontri, de Antônio Corrêa de Paiva e outros, que, por não comungarmos do seu pensamento, em relação à reencarnação do Codificador, fazemos parte desse “movimento sutil de pseudo-intelectuais”, a que ele se refere, querendo colocar a carapuça em nossas cabeças.

                Devo dizer, com toda a franqueza e sinceridade, que não me importo nada com suas afirmações. São próprias da fase da infância de qualquer ser humano. É verdade que, em alguns casos, as palavras que se pronunciam e os atos que se praticam nessa etapa da existência às vezes se repetem e se prolongam por muitos anos, mesmo quando se atinge a fase adulta e se coloca no dedo da mão um anel de doutor. É triste, mas é a verdade, embora alguns não se dêem conta disto!  Exemplo: C. Baccelli.

                O professor Rivail (Allan Kardec), antes de ser espírita, foi discípulo de Pestallozi, e, quando aluno do Instituto de Yverdun, na Suíça, aprendeu a didática ensinada por Rousseau e o método positivo pregado por Descartes. Mais tarde, já homem feito, além de professor emérito, tornou-se também um grande magnetizador, quando, em 1854, lhe foi dado observar os fenômenos que se manifestavam através de vários médiuns. Dotado de grande bom senso, empregou em suas pesquisas os métodos dedutivo e indutivo, que o levaram à criação da “Ciência Espírita”. Daí a publicação de sua primeira obra como cientista espírita, “O Livro dos Espíritos”, que preferiu lançar ao público em 1857 com o pseudônimo de Allan Kardec, uma vez que, antes, como professor Rivail, já era conhecido, no mundo intelectual e educativo de seu tempo, como um grande escritor. Depois, ao lançar em janeiro de 1858, a Revista Espírita, passou a ser também respeitado e admirado como um grande jornalista e um excelente crítico. E, o que é mais importante destacar é que, em sua grande produção doutrinária, ele fazia questão de separar bem o que vinha dos Espíritos, através dos médiuns com os quais trabalhou em suas pesquisas, do que era fruto do seu raciocínio lógico, como homem de ciência que era, além de comentarista, polemista e crítico de grande envergadura...

                Agora, quem leu com atenção a biografia de Chico Xavier, escrita por Marcel Souto Maior, chega logo à conclusão de que ele não tinha gabarito intelectual nenhum. Nunca foi um professor, um educador, um magnetizador, um jornalista, muito menos um cientista. Tudo que recebia e entregava à FEB para publicar, não era criação sua, como intelectual, mas, sim, mensagens que recebia como médium que era; e passaram a ser distribuídas e lidas nos centros espíritas para preparação do ambiente antes das sessões ou eram transformadas em livros para serem vendidos nas livrarias e feiras espíritas.

                O próprio Chico foi o primeiro a reconhecer, humildemente, esta verdade, quando declarou ao seu biógrafo: “ – Os livros não me pertencem. Eu não escrevi livro nenhum. Foram ‘Eles’, os Espíritos, que escreveram, utilizando minha psicografia, como instrumento que sou de sua produção intelecto-espiritual”. Portanto, se Kardec foi “nivelado” aos modernos cientistas, não foi por obra do Chico como pessoa humana e sim por obra dos Espíritos que se manifestaram através de sua mediunidade.

                Outra coisa absurda é dizer que “Chico deu continuidade à obra deixada por Kardec”. É tão ridículo que, a meu ver, não tem nenhum sentido. Da mesma forma afirmar, como fez Baccelli, que, no Espiritismo, “Kardec é o Velho Testamento” enquanto Chico é o Novo”. Isto seria o mesmo que anular Moisés, que foi quem recebeu a Primeira Revelação da Lei de Deus, e, concomitantemente, rebaixar Allan Kardec, que foi o único e verdadeiro Missionário da Terceira Revelação, por escolha do Espírito de Verdade, que foi quem presidiu o advento do Espiritismo. Por sua vez, “Jesus, o Homem de Nazaré, não veio destruir a Lei Divina, recebida por Moisés e promulgada no Monte Sinai, e, sim, dar-lhe cumprimento, ou seja, ensinar aos homens que a verdadeira vida não é aquela que transcorre na Terra e sim a que é vivida no reino dos céus; veio ensinar-lhes o caminho que a esse reino conduz”... Portanto, assim como a Primeira Revelação foi personificada na pessoa de Moisés, a Segunda Revelação teve como figura central nosso Mestre Jesus.

                Quanto ao Espiritismo, ao contrário das duas primeiras Revelações, “não teve a personificá-lo nenhuma individualidade, porque é fruto do ensino dado, não por um homem, mas sim pelos Espíritos, que são as vozes dos céus em todos os pontos da Terra. E o Espiritismo constitui a Terceira Revelação da Lei de Deus, porque, sendo uma “Ciência nova”, veio revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, e existência e a natureza do mundo espiritual, bem como suas relações com o mundo corpóreo”.

                O Espiritismo só tem ligação com o Novo Testamento, porque “nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo; mas, desenvolve, completa e explica, em termos claros e para toda gente, o que foi dito apenas sob forma alegórica (‘parábolas”). O Espiritismo vem cumprir, nos tempos previstos, o que o Cristo anunciou e preparar assim a realização das coisas futuras...”

                Tudo isto se encontra no “Evangelho segundo o Espiritismo”, obra de Allan Kardec que sempre esteve a serviço do Espírito de Verdade. Não se encontra nos livros de Chico Xavier, fiel servidor de Roustaing e do padre jesuíta Manuel da Nóbrega...

                Portanto, afirmar que Allan Kardec está um século e meio atrás de Chico Xavier é pura ignorância! E não sei como é que um indivíduo que ostenta um diploma de curso superior, alcançado em uma das melhores universidades do país, tem coragem de se manifestar dessa forma ridícula.

                Não é minha intenção, contudo, menosprezar a figura do Chico, que, em sua longa existência como Espírito encarnado, foi, realmente, um grande médium, e, como tal, um valioso instrumento a serviço da espiritualidade. Foi um homem bom que praticou bastante a caridade e o amor ao próximo. Colaborou muito para a divulgação do Espiritismo e para que a FEB roustainguista se tornasse uma grande potência, igualzinha ao Vaticano, onde mora o Papa. Agora, afirmar, categoricamente, que ele foi a reencarnação de Allan Kardec, isto, convenhamos, é um grande absurdo. Ele próprio não admitiu essa idéia.