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CENTRO ESPÍRITA NÃO TINHA O EVANGELHO

 

                Certa vez, Chico Xavier, que estava numa cidade de Mato Grosso do Sul, foi com um amigo conhecer um centro espírita que ficava num local retirado. Era uma casa pobre, bem humilde, que mais parecia uma choupana.

                Após as devidas apresentações e desenvolvido um diálogo fraterno, pediu aos anfitriões que lhe dessem “O Evangelho segundo o Espiritismo” de Allan Kardec, para leitura seguida de oração. Contudo, para surpresa sua, lhe foi informado que aquele Centro Espirita não possuía o Evangelho, ou seja, aquela obra básica da Doutrina Espírita.

                Chico então quis saber de que forma se desenvolviam os trabalhos ali. E, para surpresa e admiração sua, foi-lhe entregue um caderno todo surrado e sujo de terra vermelha, própria do local, trazendo em seu conteúdo mensagens coladas. O dirigente do centro informou que era através da leitura dessas páginas que se realizavam os trabalhos, ou seja, o estudo doutrinário do Espiritismo.

                O famoso médium mineiro, que teimam em afirmar que foi a reencarnação de Allan Kardec, perdeu então uma boa oportunidade de esclarecer os dirigentes e freqüentadores daquele “centro espírita” que o estudo e comentário das parábolas de Jesus, seguidos das Instruções dos Espíritos superiores, eram indispensáveis para um aprendizado profundo da Doutrina dos Espíritos. Mas, não, não disse nada. Entrou mudo e saiu calado, como se costuma dizer.

                Entretanto, deixando aquela casa “espírita”, comentou com seus acompanhantes: “ – Ali, pude compreender o verdadeiro valor  das mensagens espirituais impressas. Elas podem chegar a lugares inimagináveis e às mãos de quem necessita de uma palavra amiga ou de conforto espiritual e não tem recursos sequer para comprar um livro espírita”.

                (Fonte: Informativo do Centro Espírita “OS MENSAGEIROS” de São Paulo / SP – Ano VI – nº 34 – mar/abril  - 2008)

 

NOSSO COMENTÁRIO

 

                Allan Kardec reencarnado, jamais se omitiria em ocasiões como essa vivida pelo Chico. Aproveitaria o ensejo para esclarecer sobre a necessidade de se ler e estudar profundamente as belas lições contidas em “O Evangelho segundo o Espiritismo”.

                Aliás, no Editorial desse Informativo Espírita, aparecem, logo na pág. 2, comentários do Chico sobre passagens dos Evangelhos de Mateus e Marcos. E diz o famoso médium mineiro: “ – As trevas planejam tirar Nosso Senhor Jesus Cristo do Espiritismo. (...) O Centro Espírita, dentro da maior simplicidade possível, tem o papel primordial de levar a público o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

                Quanto a isto, temos que lembrar apenas que Allan Kardec jamais empregou essa expressão fradesca “Nosso Senhor Jesus Cristo”.  Além disso, foi em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, prefaciado pelo Espírito de Verdade”, que, na “Introdução”,  o Codificador se referiu aos Evangelhos de Jesus como um “código divino”, deixando bem claro que: “Esta obra (referindo-se ao Evangelho segundo o Espiritismo) era para uso de todos, que dela podem haurir os meios de conformar com a moral do Cristo o respectivo proceder. Aos espíritas oferece aplicações que lhes concernem de modo especial. Graças às relações estabelecidas, doravante e permanentemente, entre os homens e o mundo invisível, a lei evangélica que os próprios Espíritos ensinaram, já não será letra morta, porque cada um a compreenderá e se verá incessantemente compelido a pô-la em prática, a conselho de seus guias espirituais. As instruções que promanam dos Espíritos são verdadeiramente as vozes do céu que vêm esclarecer os homens e convidá-los à prática do Evangelho”