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“AI DE VÓS, ESCRIBAS E FARISEUS HIPÓCRITAS...”

            (Mateus, XXIII, vs. 13 a 17)

       Em comemoração aos 120 anos de fundação da Federação Espírita (Roustainguista) Brasileira, o Sr. Nestor João Masotti, atual presidente, deu uma entrevista que o “Reformador”, em sua edição de janeiro de 2004, publicou na íntegra (págs. 3,  4 e 5).

     Logo no início, ele diz que “a FEB chega aos seus 120 anos de existência, mantendo os objetivos que sempre nortearam suas atividades: o estudo, a difusão e a prática da Doutrina Espírita  contida nas obras de Allan Kardec, que constituem a Codificação Espírita, a qual resgata o Evangelho de Jesus na sua autenticidade primitiva...” (grifo nosso).

     Em seu longo arrazoado, o Sr. Masotti enaltece o lançamento pela Editora febeana de inúmeros títulos “voltados todos a um claro interesse de difusão da Doutrina Espírita”; exalta Francisco Cândido Xavier, por sua enorme produção de obras ditadas por Emmanuel, André Luiz, e muitos outros Espíritos, por ele psicografadas e publicadas pela Editora da FEB; elogia o trabalho de unificação do Movimento Espírita, realizado pela FEB através do Conselho Federativo Nacional; coloca em grande destaque a assinatura do Pacto Áureo de 5 de outubro de 1949, quando se iniciou “a tarefa de mais ampla integração, maior união das entidades espíritas e maior fortalecimento do Movimento Espírita”... enfim, diz uma série de coisas, com o objetivo premeditado de exaltar a atuação da chamada “Casa Mater” do Espiritismo no Brasil.

                Nas págs. 6, 7 e 8  dessa mesma “Revista de Espiritismo Cristão” ou “Reformador”, o Sr. Juvanir Borges de Souza, roustainguista fanático, ex-presidente da FEB, em longo artigo, intitulado “A FEB e a atualidade”, enaltece também a obra realizada por essa instituição federal, nesses cento e vinte anos de existência.

NOSSO COMENTÁRIO

                Muito bem, estão no direito sagrado de expressar seu pensamento da maneira como bem entendem e acham melhor. Direito que ninguém contesta, muito menos nós.

                Só que esqueceram de dizer algumas coisas, que é preciso que todos saibam, principalmente, os jovens que freqüentam as inúmeras “mocidades espíritas”, espalhadas por todo o território nacional e são o futuro da Nação espírita do Brasil.  Recorramos então aos fatos e às provas.

      Por exemplo: (a) foi Guillon Ribeiro, Presidente da FEB, que traduziu “Os Quatro Evangelhos” de Roustaing, livro responsável pelo primeiro grande cisma do Espiritismo, mas que passou a ser estudado e divulgado pelos roustainguistas febeanos; (b) foi também Guillon Ribeiro quem traduziu e prefaciou “A Grande Síntese”, obra de Pietro Ubaldi, publicada pela Editora da FEB em 1939, com elogios de Emmanuel e Chico Xavier, que, segundo registrou seu biógrafo, fez desse livro, tão criticado pelos verdadeiros adeptos de Kardec, “um dos seus livros de cabeceira” (Ver “As Vidas de Chico Xavier”, de Marcel Souto Maior, pág. 118, Editora “Planeta”, 2ª edição);  (c) foram os chamados “pioneiros” do Espiritismo, que fundaram a Federação Espírita (Roustainguista) Brasileira, em janeiro de 1884 e, estatutariamente, deram o monopólio da sua presidência aos  roustainguistas. Desta forma, somente quem era roustainguista declarado passou a poder ser presidente da chamada “Casa Mater” do Espiritismo; (d) foi a editora da FEB, que, em 1938 lançou o livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, ditado pelo Espírito de Humberto de Campos, psicografado por Chico e prefaciado pelo padre Manoel da Nóbrega (Emmanuel), livro esse que, no cap. XXII, apresenta uma grande mentira, ao afirmar que J. B. Roustaing, foi “coadjutor” de Kardec e encarregado de “organizar o trabalho da fé”; (e) a Diretoria da FEB roustainguista não se fez representar no Congresso da Confederação Espírita Panamericana, realizado em outubro de 1949. Entretanto, paralelamente a esse Congresso, o Sr. Antonio Wantuil de Freitas, Presidente da FEB, mancomunado com o Sr. Arthur Lins de Vasconcellos Lopes, líder de um pequeno grupo de espíritas muito ligados aos roustainguistas febeanos, promoveu, no dia 5 de outubro desse ano, na sede da FEB, um “encontro”, por eles considerado “Grande Conferência Espirita do Rio de Janeiro”, onde foi assinado um acordo que ficou na História como “Pacto Áureo de Unificação do Movimento Espírita Brasileiro”. Foi então criado Departamento da FEB intitulado Conselho Federativo Nacional (CFN), fraco, omisso e bastante conivente com o roustainguismo febeano. Ao mesmo tempo, ficou estabelecido em ata que “cabe aos espíritas do Brasil porem em prática a exposição contida no livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, de maneira a acelerar a marcha evolutiva do Espiritismo; (f) Foi o Presidente da FEB roustainguista, Sr. Antonio Wantuil de Freitas, quem declarou que a Umbanda é Espiritismo, mas não Doutrina Espirita, o que constitui uma verdadeira aberração, que foi duramente criticada por Herculano Pires e muitos outros; (g) Foi a Editora da FEB roustainguista que publicou a obra “Elos Doutrinários” de Ismael Gomes Braga, onde se lê que “o roustainguismo é um curso superior de espiritismo”, colocando portanto Allan Kardec e “O Evangelho segundo o Espiritismo” em segundo plano, o que é um verdadeiro absurdo, duramente criticado por Júlio Abreu Filho em seu livro “Erros Doutrinários... Enfim, muitos e muitos outros exemplos poderíamos citar ainda. Mas achamos que estes bastam, para provar por A mais B que, na verdade há uma omissão proposital, intencional, nos pronunciamentos dos Srs. Nestor João Masotti e Juvanir Borges de Souza, exaltando a Federação Espírita (Roustainguista) Brasileira pelo transcurso dos seus cento e vinte anos de existência.

    Se houver alguém que ache que inventamos os fatos apontados, lançamos, aqui e agora, o nosso desafio para que prove que estamos mentindo.

     Ao terminar este comentário, fazemos questão de seguir o exemplo que nos deu Jesus, o Homem de Nazaré. Pois não foi Ele que Deus mandou há dois mil anos atrás, para nos servir de Guia e Modelo?! (Questão 625 de “O Livro dos Espíritos”).

     Por isso mesmo, dirigindo nossas palavras a Nestor João Masotti e Juvanir Borges de Souza, bem como a todos os dirigentes da FEB e membros do Conselho Federativo Nacional da FEB, gritamos também a plenos pulmões: “ – Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Ai de vós!...”.